Diário da Manhã

Polícia

Abuso sexual de crianças registra alto índice

Autor: Isabella Westphalen

Nesta semana, na quinta-feira (12), além de feriado de Nossa Senhora Aparecida, também foi comemorado o dia das crianças no Brasil, porém, o cenário não é somente de alegria e comemoração em Carazinho, tendo em vista que há uma parcela de crianças que vem sofrendo com uma situação de violência. De acordo com o delegado da Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA), Edinei Albarello, são 24 ocorrências de abuso sexual registradas no município, somente neste ano.

Dessas 24, oito investigações ainda estão em andamento, o mais recente desses casos envolvendo uma criança de apenas três anos. No ano passado, também foram 24 inquéritos policiais instaurados envolvendo o crime. “Hoje, estamos no mês de outubro, faltando cerca de dois meses para o fim do ano, e já atingimos, infelizmente, a estatística do ano passado. O que tem se demonstrado é que esse número vem crescendo”, explicou Albarello, que é responsável pela DPCA há quatro anos.

Segundo o delegado, dos boletins de ocorrência registrados envolvendo crianças e adolescentes, sendo cerca de 300 a 400 procedimentos por ano no total, 50% diz respeito a menores infratores e os outros 50% de crianças e adolescentes vítimas de violência sexual. Nos casos de abuso, cerca de quase 80% dos casos são referentes a crianças de até 11 anos. O restante da porcentagem diz respeito às demais idades, desde os 12 aos 16 anos.

De acordo com a apuração do delegado, 80% dos casos de violência sexual acontecem com meninas. “Quando envolve crianças, quase 100% dos acusados têm relação familiar com a vítima. Geralmente, a maior incidência é com o padrastro, em segundo lugar vem o pai biológico e em terceiro, com uma incidência menor, pessoas que tem familiaridade com a criança, a qual, inclusive, muitas vezes não sabe que está sendo vítima”, frisou Albarello.

O delegado é enfático quanto à seriedade do problema. “As pessoas que deveriam dar assistência e proteção a essas crianças, infelizmente, são os algozes, os autores desse crime bárbaro”, complementou. Albarello ainda afirma que a DPCA está conseguindo encaminhar os casos ao Poder Judiciário, que, a seu ver, está conseguindo aplicar sanções justas.

 

Atenção ao problema

Conforme Albarello, geralmente 100% dos casos que são denunciados são de crimes continuados. Ou seja, há o início do abuso e ele vem acontecendo por anos, até que a criança, de uma forma ou outra, consegue falar ou expressar o problema. “Temos muitos casos que foram descobertos na escola, quando se nota um comportamento ou atitudes diferentes por parte do aluno. Porém, até chegar esse momento, infelizmente, essas crianças já vem sendo vitimadas por muito tempo até que que as autoridades tomem conhecimento da situação”, explicou o delegado. 

Após o depoimento especial no Fórum, a criança é encaminhada ao Centro de Referência Especializado em Assistência Social de Carazinho, o CREAS, onde são feitos trabalhos de superação com a vítima e a família, seja de casos referentes à violência sexual ou psicológica.

A assistente social Franciele Bohrer, que trabalha há cinco anos no CREAS e atualmente é coordenadora da instituição, afirma ser um trabalho difícil, porém muito necessário. “Nossas psicólogas procuram trabalhar através de desenhos, brincadeiras, atividades lúdicas, pelas quais vão entendendo o que aconteceu e assim trabalhar a superação do ocorrido, tanto com a criança, quanto com a família”, explicou a coordenadora.

Sobre o índice de crimes, Franciele questiona se o número da violência sexual aumentou porque as pessoas estão denunciando mais ou porque o número de ações cresceram, de fato. “Há três anos estamos trabalhando muito a questão da prevenção desses crimes. Organizamos seminários, vamos nas escolas orientar os educadores para que olhem atentos para as crianças. O caminho é seguir trabalhando a prevenção do que pode acontecer, conscientizando a sociedade, essa é a única maneira”, comentou a coordenadora, que afirma que as pessoas estão descobrindo formas de denunciar e estão tendo mais amparo.

Para Franciele, trata-se de um ofício chocante, porém, quando são capazes de ajudar alguém, torna-se gratificante. “Quando conseguimos ajudar as famílias a superar a violência ou tirar o adolescente da marginalidade é muito especial e é por isso que a gente segue lutando”, finalizou a coordenadora.

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