Diário da Manhã

Saúde

No Azul de Novembro

Autor: Daniel Rohrig
No Azul de Novembro
Foto: Daniel Rohrig/DM

Mobilização nacional busca estimular os cuidados com o câncer de próstata, doença responsável  pela morte de 14 mil homens por ano em todo o país, conforme o INCA

O tamanho da glândula parece não intimidar, contudo, é responsável pelo segundo tipo de câncer que mais mata homens no país. A próstata é um órgão exclusivamente masculino, localizando na parte abaixo do abdômen com formato semelhante a uma maçã, situado logo abaixo da bexiga e à frente do reto. Compreende a porção da uretra, canal no qual a urina armazenada na bexiga é expelida pelo corpo. Também é responsável pela produção de substâncias que compõem o sêmen, líquido que contém os espermatozoides.

Os dados computados pelo Instituto Nacional do Câncer, o INCA, são preocupantes. No Brasil, o câncer de próstata é o segundo mais comum entre os homens, atrás apenas do câncer de pele não-melanoma. Em valores absolutos e considerando ambos os sexos é o quarto tipo mais comum e o segundo mais incidente entre os homens. A taxa de incidência é maior nos países desenvolvidos em comparação aos países em desenvolvimento.

Em números, o câncer de próstata provoca mais de 14 mil mortes por ano no país e cerca de  mil apenas no Rio Grande do Sul. Na região Norte do Estado, são mais de 115 mortes por ano. De acordo com estimativas do INCA, em 2016, mais de 61 mil novos casos da doença foram diagnosticados no Brasil. Considerado um câncer da terceira idade, cerca de três quartos dos casos no mundo ocorrem em homens a partir dos 65 anos. O aumento observado nas taxas de incidência no país pode ser parcialmente justificado pela evolução dos métodos diagnósticos e exames, pela melhoria na qualidade dos sistemas de informação do país e pelo aumento na expectativa de vida.

Para o médico urologista, Leandro Kruel, há muitos fatores envolvidos para o desenvolvimento da doença, como a hereditariedade. “A hereditariedade é um dos principais fatores de risco para a doença. Um parente de primeiro grau com a doença duplica sua chance. Dois familiares com a doença aumentam essa chance em cinco vezes. Para quem tem casos na família, o recomendado pela Sociedade Brasileira de Urologia é procurar um urologista a partir dos 45 anos” explica.

O estilo de vida adotado pela população masculina também influencia no desenvolvimento do câncer de próstata. O sedentarismo e a obesidade estão relacionados a alterações metabólicas que podem levar a mudanças moleculares responsáveis pela gatilho da doença. De acordo com Kruel, a atividade física regular tem um papel relevante na prevenção e no tratamento. “Essa prática saudável pode agir de modo protetor e tem sido um fator modificável para o câncer de próstata por causa dos seus potenciais efeitos” completa o urologista.

No Brasil, um homem morre a cada 38 minutos devido ao câncer de próstata, segundo os dados mais recentes do Instituto Nacional do Câncer. Não é possível preveni-la, mas com o diagnóstico precoce os índices de mortalidade podem ser reduzidos drasticamente.  Apesar de o risco para a doença aumentar significativamente após os 50 anos, cerca de 40% dos casos são diagnosticados em homens abaixo desta idade, mesmo a doença sendo rara antes dos 40 anos de idade.

Atenção aos sintomas

Em estágio inicial, quando as chances de cura beiram os 90%, a doença não apresenta qualquer indício. Geralmente, os principais sintomas relacionados à próstata são devido a hiperplasia prostática, que diz respeito ao crescimento benigno da glândula. Atrelado a isso, outros sinais como jato urinário mais fraco, sensação de urgência miccional ou de esvaziamento incompleto da bexiga, podem acender o sinal de alerta.

Alterações do exame de PSA (exame sanguíneo) ocorrem quando o antígeno prostático apresenta mudanças em várias situações  que podem não estar relacionadas diretamente ao câncer, como a hiperplasia benigna da próstata, prostatite - uma inflamação - e trauma.

O urologista Leandro Kruel destaca que os exames são imprescindíveis para o êxito na cura. “Por isso é importante a avaliação médica e o toque retal. Ter PSA baixo não é sinal de que não tem câncer de próstata. Estima-se que o câncer de próstata está presente em 15% dos homens com níveis normais de PSA, daí a importância do toque retal” explica.

Mas não é preciso aguardar o surgimento dos sintomas para adotar medidas preventivas. De acordo com a cartilha desenvolvida pelo INCA em 2017, os benefícios para a saúde do homem são inúmeros. “Realizar o exame pode ajudar a identificar o câncer de próstata logo no inicio da doença, aumentando assim a chance de sucesso no tratamento. Tratar o câncer de próstata na fase inicial pode evitar que se desenvolva e chegue a uma fase mais avançada” destaca o instituto. O documento também aponta que os riscos desses exames estão relacionados às consequências dos seus resultados e não à sua realização.

Para o INCA, ter um resultado que indica câncer, mesmo não sendo, gera ansiedade e estresse, além da necessidade de novos exames, como a biópsia. Um dos riscos que o paciente corre pode estar relacionado ao diagnóstico e ao tratamento de um câncer que não evoluiria e nem ameaçaria a vida. Cabe uma avaliação médica especializada para empreender possíveis ações de tratamento.

Foco no tratamento

Nem todos os casos de câncer de próstata precisam de tratamento, afirmam os médicos. Embora a maior parte dos casos sejam tratados por cirurgia, a indicação da melhor forma de tratamento vai depender de vários aspectos, como estado de saúde atual, estágio da doença e expectativa de vida. Em casos de tumores de baixa agressividade, há a opção da vigilância ativa, na qual periodicamente se faz um monitoramento da evolução da doença intervindo se houver progressão da mesma.

Estudos têm apontado que a terapia de reposição hormonal com testosterona não representa risco de desenvolvimento de câncer de próstata nos homens que recebem o hormônio. Nos homens que tenham sido tratados com sucesso de câncer de próstata, a reposição hormonal poderá ser instituída após uma análise criteriosa dos riscos e benefícios. “Homens portadores de câncer de próstata e que ainda não tenham sido tratados da doença, não deverão receber terapia de reposição hormonal. Como regra, nunca se deve fazer uso de reposição de testosterona sem consultar seu médico” finaliza o urologista, Leandro Kruel.

Tumores

Alguns dos tumores na próstata podem crescer de forma rápida, espalhando-se para outros órgãos e podendo levar à morte. A grande maioria, porém, cresce de forma tão lenta (leva cerca de 15 anos para atingir 1 cm³ ) que não chega a dar sinais durante a vida e nem a ameaçar a saúde do homem.

Direitos do paciente com câncer

Os pacientes com câncer têm direito a receber auxílio-doença – se for afastado do trabalho por mais de 15 dias – e o saque do Programa de Integração Social e do Programa de Formação do Patrimônio do Servidor Público (PIS/Pasep). Quem é atendido pelo Sistema Único de Saúde (SUS) pode solicitar ainda o benefício chamado Tratamento Fora de Domicílio (TFD), valor que cobre despesas como transporte aéreo, terrestre e fluvial, diárias para alimentação e pernoite. No caso do TFD, a liberação depende da disponibilidade orçamentária do município ou estado. Alguns estados, como o Rio de Janeiro, asseguram ainda a gratuidade de ônibus intermunicipais, trem, metrô e barca. A lista dos completa dos direitos do paciente está disponível no site do Inca.

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