Diário da Manhã

Saúde

Informação é essencial na luta contra a doença

Autor: Daniel Rohrig
Informação é essencial na luta contra a doença
Infográfico Aline Prestes/DM

Dia Nacional de Combate ao Câncer também é momento para reflexão sobre a incidência de casos no Brasil

Na próxima segunda-feira, 27 de novembro, é lembrado o Dia Nacional de Combate ao Câncer. A data foi instituída em 1988 com a finalidade de mobilizar a população quanto aos aspectos educativos e sociais no controle do câncer. Há cerca de um mês, a Sociedade Brasileira de Oncologia Clínica (SBOC) divulgou uma pesquisa inédita que mostra que ainda há muita desinformação sobre o câncer no Brasil.

A pesquisa “Panorama sobre grau de informação, hábitos e atitudes do brasileiro em relação ao câncer” foi divulgada no final do mês de outubro, durante o Congresso Brasileiro da SBOC, e ouviu 1,5 mil pessoas em 26 estados brasileiros. Um em cada quatro brasileiros não faz exames preventivos contra o câncer e apenas 26% dos entrevistados acreditam entender profundamente sobre o tema. “Por ser a segunda doença (câncer) mais importante na população brasileira e com incidência e mortalidade crescentes, esta pesquisa tem valor inestimável para enfrentarmos essa situação”, destaca o oncologista clínico do Centro de Tratamento do Câncer (CTCAN), Dr. Álvaro Machado.

Um em cada quatro brasileiros não faz exames preventivos

Um dos dados mais relevantes mostra que grande parte das pessoas, 41%, tem muito medo do câncer, no entanto, um em cada quatro brasileiros não faz exames preventivos contra a doença. Isso é muito preocupante na opinião do oncologista clínico do CTCAN. “Ainda tem o estigma de doença incurável e que traz grande sofrimento. Isso assusta. Mas não mobiliza as pessoas a tomarem atitudes no sentido da prevenção e identificação dos fatores de risco a que estão expostas. Exames rotineiros são fundamentais para o diagnóstico precoce, sinônimo de chance de cura”, comenta o oncologista.

Muitos motivos são citados como justificativa para a não realização dos exames preventivos: ausência de plano de saúde (29%), falta de tempo (28%), não considerar necessária a realização dos exames (20%) e medo de descobrir a doença (11%). Esses dados impressionam. “Existem fatores estruturais como serviços públicos insuficientes e deficientes, mas falta a cultura da prevenção e, especialmente, a falta de conhecimento. A ignorância sobre o tema gera condutas errôneas como, por exemplo, não fazer exames para não ‘encontrar’ doenças”, comenta Machado.

Homens cuidam menos da saúde?

Em relação ao câncer de próstata, tipo de câncer mais frequente entre os homens, depois do câncer de pele, a pesquisa mostra que apenas 22% dos entrevistados realizam exame de próstata (toque retal), embora 67% saibam que deveriam fazê-lo para alcançar o diagnóstico precoce. Em relação ao exame de PSA (Antígeno Prostático Específico), os percentuais são 20% e 42%, respectivamente. De um modo geral, a pesquisa revela que os homens também não têm muita iniciativa de fazer a prevenção de outros cânceres que tem alta incidência, como o de pulmão, intestino e estômago.

Os homens costumam cuidar menos da saúde. “As mulheres têm o hábito de consultar seu ginecologista desde a adolescência. Os homens vão ao médico apenas quando já estão doentes”, salienta o oncologista clínico.

Região Norte do RS registra cerca de 2 mil mortes por câncer a cada ano

Atualmente, 8,8 milhões de pessoas morrem por ano de câncer no mundo, conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS). No Brasil, foram registradas 209.780 mortes pela doença em 2015 (DataSUS). No Rio Grande do Sul, o câncer matou mais de 18 mil gaúchos neste mesmo período e, desses, mais de 1,9 mil foram na região Norte. Passo Fundo, Erechim e Carazinho são os municípios com o maior número de óbitos na região, 315, 140 e 105, respectivamente.

De acordo com a última estimativa divulgada pelo Instituto Nacional de Câncer (Inca), o Brasil registra quase 600 mil novos casos da doença a cada ano. Entre os homens, são esperados mais de 295 mil novos casos, e entre as mulheres, mais de 300 mil. O tipo de câncer mais incidente em ambos os sexos é o de pele não melanoma (175.760 casos novos a cada ano), o que corresponde a 29% do total estimado.

Para os homens, os cânceres mais incidentes, depois do câncer de pele, são os de próstata (61.200 novos casos/ano), pulmão (17.330), cólon e reto (16.660), estômago (12.920), cavidade oral (11.140), esôfago (7.950), bexiga (7.200), laringe (6.360) e leucemias (5.540). Entre as mulheres, as maiores incidências, depois do câncer de pele, são de cânceres de mama (57.960), cólon e reto (17.620), colo do útero (16.340), pulmão (10.860), estômago (7.600), corpo do útero (6.950), ovário (6.150), glândula tireoide (5.870) e linfoma não-Hodgkin (5.030).

Informação é essencial para reduzir a incidência e as taxas de mortalidade

Segundo a OMS, quatro fatores de risco são responsáveis por um terço de todos os casos de câncer no mundo: tabaco, álcool, sedentarismo e sobrepeso/obesidade. Esse último já é a principal causa de câncer nos Estados Unidos e a obesidade aumenta em incidência, no Brasil, ano a ano. Na opinião do oncologista clínico, conhecer os fatores de risco, os principais cânceres e as “armas” para diagnóstico precoce, são formas efetivas de reduzir a incidência e as taxas de morte.

Ainda sobre a prevenção, Machado ressalta a importância da vacinação contra o HPV. “É a causa principal do câncer do colo do útero, além do câncer do pênis, do ânus e da garganta", enfatiza o oncologista clínico, salientando que a vacina contra o HPV está disponível na rede pública para meninos de 10 a 14 anos e meninas dos 10 aos 23 anos.

Quanto ao diagnóstico precoce, o oncologista clínico alerta que "não há política de rastreamento do câncer no Brasil, apenas recomendações do Ministério da Saúde". Para diagnóstico precoce dos principais cânceres que acometem homens e mulheres, a SBOC e outras sociedades médicas recomendam para mulheres a mamografia anual a partir dos 40 anos de idade e o exame de Papanicolau a partir dos 18 anos ou início da atividade sexual.

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