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Roberto Rodrigues lamenta que seguro agrícola não tenha avançado no país

Autor: Alessandro Tavares
Roberto Rodrigues lamenta que seguro agrícola não tenha avançado no país
Foto Diário AM

Em entrevista ao DM, o ex-ministro da Agricultura, destacou que o seguro agrícola diminui os riscos da inadimplência e que o setor precisa melhorar sua comunicação com o público urbano para avançar nas políticas que lhe são essenciais

Nesta sexta-feira (24), o ex-ministro da Agricultura, Coordenador do Centro de Agronegócio da FGV-EESP e Embaixador Especial da FAO para o Cooperativismo, Roberto Rodrigues, esteve cumprindo agenda em Carazinho e concedeu entrevista ao DM discutindo assuntos sobre o cenário agropecuário do país. Para o ex-ministro da Agricultura, um dos principais reflexos da crise econômica na produção agropecuária, foi o não avanço do seguro agrícola. “Evidente que a crise econômica, fruto em parte da crise politica, afetou a agricultura. O crédito foi afetado seja pelo volume insuficiente, seja pelo custo. Mas o mais negativo foi o não avanço do seguro rural. Os países desenvolvidos do mundo tem seguro rural, pois sabem que isto garante estabilidade de renda, e nós aqui estamos engatinhando. Quando fui ministro, como tínhamos uma bancada ruralista forte, foi a primeira coisa que fiz, mas se passaram 14 anos e temos só 10% da área agrícola do país assegurada pois o governo não faz sua parte”, disse Rodrigues.

Para o ex-ministro, a expansão do seguro agrícola, é uma oportunidade de se diluir o risco da inadimplência generalizada nos setores de atuação no, e para com o segmento agropecuário. “Em consequência da crise, o governo corta no contingenciamento nas áreas que ele acha que pode cortar, e não tem a visão da importância disto para o setor. O Ministro da Agricultura luta, a bancada ruralista luta, mas não é isto que entende o pessoal da área fazendária. O que é um absurdo, pois qualquer desastre que provoque uma quebradeira no campo como uma seca, por exemplo, quebra produtores, e por consequência mexe no mercado de adubos, insumos, máquinas e tantos outros setores. O seguro agrícola é o meio de afastarmos de vez o fantasma da inadimplência. Me custa a crer que nossas autoridades  não consigam perceber este tipo de situação”, declarou.

Sobre os principais produtos agropecuários do país, Rodrigues pontuou que percebe como baixo o risco de uma 'quebradeira' econômica do setor, porém os preços devem se manter equilibrados. “Acho que está mais tranquilo, o que existe é um horizonte global de estoques acima da média recente, sobre tudo de grãos, café e açúcar. Assim, a perspectiva é de preços equilibrados, e não mais aquelas altas. Isto tem uma consequência para o produtor, ele terá de ter uma produtividade alta, e portanto, tem de usar tecnologia, porque vai ser preciso ter no mínimo uma produtividade média, pois é isto que vai lhe permitir renda, mesmo em momentos de preços mais baixos. Creio que esta questão da tecnologia é algo já consolidado, o agricultor no país já percebeu isto”, observou.

Para o ex-ministro, tão importante quanto se apropriar das tecnologias disponíveis para produção, também é  apropriar-se das tecnologias que já existem, e das que irão surgir para a gestão dos negócios do agro. Ao comentar sobre preços de commodities de interesse direto para a região como soja e milho, o agrônomo destaca que com os estoques mundiais em níveis medianos, e sem alterações no câmbio, a tendência é que os preços permaneçam da forma como estão, sem  flutuações expressivas. Destaca no entanto, que ha murmurinhos no mercado, de que os Estados Unidos podem fazer movimentos nas suas taxas de juros, que se forem majoradas poderão ter reflexos no câmbio,  mas  frisa que por ora são apenas especulações. “O conselho quê eu como produtor rural é de que, é tempo de se colocar a barba de molho e trabalhar com margens estreitas. Fazer a renda na escala porque na unidade a margem será pequena”, diz o agente.

Rodrigues que foi ministro durante o primeiro mandato do ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva, e que não tem filiação política, comenta que tem observado como positivas algumas ações do governo Temer para com o setor. “Acho que vai bem. O ministro Blairo Maggi, como produtor, conhece o assunto e tem clareza de que, ou a gente abre mercado e consolida o que têm, ou o excedente interno pode  prejudicar o produtor. Duas áreas tem feito esforços positivos, uma a Agricultura e a outra o Itamaraty”, opinou, acrescentando que hoje 40% do comércio mundial de alimentos no mundo acontecem por acordos bilaterais, é o que dois países fazem para aumentar seu comércio, e isto aumenta a renda. “Tem que ser  dito que o Itamaraty está empenhado em acordos bilaterais”, constatou.

Comunicação a ser melhorada

Para o ex-ministro, com tudo o que representa em termos de geração  de renda, emprego, PIB e balança comercial, o agronegócio é estratégico para o desenvolvimento do país, porém, o setor falha na comunicação, pois não consegue fazer com que a população urbana apoie as politicas das quais o setor precisa. “Eu acho que nós produtores, e as lideranças do setor, cometemos alguns equívocos no passado em nos comunicar adequadamente sobre a importância do setor. O erro de nossa parte foi por vezes considerar que o publico urbano era desinformado, ou até desrespeitoso em relação a importância do agro. Ora, se você crítica uma pessoa, a pessoa vai ficar  chateada contra você, e vai reagir contra você. A população urbana hoje é majoritária, e portanto, é quem ganha a eleição. Precisamos mudar os paradigmas e reconhecer que o rural precisa do urbano, e que o contrário também é verdadeiro. É comum  ouvirmos que o Brasil vai mal, mas que o pessoal da agricultura vai bem. Como se não fossemos um mesmo país. O agronegócio é a alavanca que pode tornar o Brasil um país de primeiro mundo”, concluiu Rodrigues.

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