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Das propriedades para o mundo

Autor: Daniel Rohrig
Das propriedades para o mundo
Foto: Arquivo/DM

Na dianteira no ramo da exportação de alimentos, produtores brasileiros têm como desafio para as próximas décadas manter mão de obra qualificada no campo, bem como comportar demanda crescente de produção de alimentos

O agronegócio brasileiro será peça fundamental para alimentar, até 2030, uma população mundial de 8,6 bilhões de pessoas, de acordo com o último relatório demográfico da Organização das Nações Unidas (ONU), publicado no ano passado. O aumento de um bilhão de pessoas em um período de treze anos confirma os cálculos da organização apontados ainda em 2015, reiterando a tendência global de crescimento. Mais da metade do crescimento populacional entre hoje e 2050 se concentrará em nove países: Índia, Nigéria, República Democrática do Congo, Paquistão, Etiópia, Tanzânia, Estados Unidos, Uganda e Indonésia. Nesse cenário, o Brasil figura como um dos principais provedores de alimentos para o mercado interno e de exportação, mesmo enfrentando desafios importantes nas lavouras, conforme apontam os pesquisadores.

Por outro lado, o mesmo relatório revela que, no Brasil, o crescimento demográfico será mais lento devido às taxas de fertilidade, que baixaram em quase todas as regiões do mundo. O país está entre as dez nações que registraram menor índice de fertilidade em relação ao nível de reposição entre 2010 e 2015. Apesar do aumento da população mundial, o processo ocorrerá em um ritmo mais lento do que nos últimos anos devidos a uma redução da taxa de fertilidade em praticamente todas as regiões, inclusive em lugares onde segue muito alta, como na África.

Para o professor da Universidade de Passo Fundo, pesquisador e doutor em economia, Marco Antônio Montoya, a produção nacional de alimentos sustenta grande parte da cadeia internacional. “O Brasil, hoje, é considerado um país imprescindível na produção de alimentos no futuro. Nas previsões para 2030, por exemplo, se observa que a população crescerá muito, bem como a renda per capita mundial que deve aumentar cerca de 80%. Com mais renda, aumenta o consumo e, consequentemente a demanda. Nesse panorama, existe uma grande oportunidade de negócios para ao Brasil, que é fator determinante no abastecimento”, destaca.

Nos últimos três anos de crise econômica, Montoya avalia que o agronegócio simplesmente não sofreu com a recessão, mérito de uma cadeia produtiva forte e estabilizada. “O agronegócio, em meio à esta crise, teve os melhores índices de produtividade e previsões favoráveis para a próxima safra”, completa o pesquisador. De acordo com ele, o setor financia os demais eixos econômicos, ao passo que quando o campo não cresce, o restante da economia fica estacionada.

Eixos propulsores

Os dados do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) apontam que no último mês de 2017, o país registrou o terceiro maior superávit da série histórica, de US$ 5,76 bilhões, na balança comercial do agronegócio brasileiro, montante superior ao de dezembro de 2016. Este resultado foi decorrente de exportações de US$ 6,94 bilhões (incremento de 13,6% sobre dez/16) e importações de US$ 1,18 bilhão (recuo de 13,4% sobre dez/16). Com isso, as exportações brasileiras do agronegócio somaram US$ 96 bilhões no acumulado do ano de 2017, crescimento de 13% em relação à 2016. O setor representou 44,1% do total das vendas externas do Brasil no período. Por outro lado, as importações de produtos agropecuários alcançaram a cifra de US$ 14,15 bilhões em 2017, aumento de 3,9% na comparação anual. Como resultado do crescimento superior das exportações sobre as importações do agronegócio, o saldo da balança do setor foi superavitário em US$ 81,86 bilhões, segundo maior saldo da balança do agronegócio, perdendo apenas para o ano de 2013 (R$ 82,91 bilhões).

Montoya acredita que a balança comercial alimentícia é ancorada pela soja, porém, outros produtos fazem parte do suporte econômico e fornecimento de insumos. “Nós temos uma parcela considerável de exportação da cana-de-açúcar, da carne bovina e de frango. Contudo, o Brasil poderia avançar ainda mais em produtos como o trigo dentro do agronegócio, que ainda deixa a desejar”, avalia o pesquisador. A China segue na liderança entre os mercados do agronegócio brasileiro, ampliando sua participação de 24,5% para 27,7%. As exportações ao país somaram US$ 26,58 bilhões em 2017. Não obstante a vantagem chinesa frente aos demais mercados, a pauta de produtos mostra-se extremamente concentrada.

Campo detém responsabilidade de alimentar no futuro

Diversas pesquisas já relacionam diretamente a figura do Brasil com o abastecimento mundial de alimentos, considerando o aumento gradativo da população mundial nos próximos anos. O doutor em economia, Marco Antônio Montoya, reforça a ideia do protagonismo das lavouras brasileiras diante da realidade. “É notável que o Brasil tem um prestígio muito grande nesse processo. Porque ano a ano, o país registra recordes de produção, bons números, quantidades representativas na balança comercial e crescimentos surpreendentes. Se você observar, o agronegócio cresce em média 3,5% ao ano. Disparado em relação ao PIB do país”, avalia.

Outro setor em crescimento é o da produção leiteira, demasiadamente no Rio Grande do Sul, segundo Montoya. “Nos últimos quinze anos, foi um setor que se fortaleceu, em que muitos produtores ingressaram na atividade, que gira muito a roda da economia. Depois do cheque da aposentadoria, o segundo ordenado mais aguardado é o popular ‘cheque do leite’, tamanha a importância do produto para renda do campo”, pontua. Tanto em termos econômicos quanto em termos sociais, o leite é responsável por movimentar o campo.

No futuro, por outro lado, as propriedades familiares serão extremamente necessárias para o abastecimento das prateleiras na cidade, a partir de produtos de consumo imediato, como a batata, mandioca, hortaliças dentre outros derivados. Montoya cita, como um dos maiores desafios para o campo, a qualificação e manutenção da mão de obra. “Nós observamos o aumento da qualificação nas propriedades. Tanto no sentido de curso superior quanto no âmbito das especializações. As novas gerações de agricultores no Rio Grande do Sul apresenta graus satisfatórios de qualificação. Manter ou até mesmo aumentar a produtividade sem alterar a área, agregar valor ao produto e manter o pessoal no campo serão as principais desafios para o campo no futuro, em que o sucesso ou não dessa fórmula, vai impactar no abastecimento de alimentos”, finaliza o pesquisador.

Contrastes da soja

No ranking de valor exportado, o complexo soja ocupou a primeira posição, somando US$ 31,7 bilhões, sendo o principal responsável pelo aumento do grau de concentração da pauta exportadora do setor, visto que sua participação chegou a 33,0%. As vendas do grão foram recordes, tanto em valor (US$ 25,7 bilhões), quanto em quantidade (68,1 milhões de toneladas). As vendas do farelo, no entanto, registraram queda em valor (-4,2%), quantidade (-1,8%) e preço (-2,4%). Por sua vez, o óleo de soja apresentou crescimento nas exportações (+14,8%), somando US$ 1,0 bilhão.

Olhos

O Brasil, hoje, é considerado um país imprescindível na produção de alimentos no futuro. Nas previsões para 2030, por exemplo, se observa que a população crescerá muito, bem como a renda per capita mundial [...] Nesse panorama, existe uma grande oportunidade de negócios para ao Brasil, que é fator determinante no abastecimento – Marco Antônio Montoya, doutor em economia.

Manter ou até mesmo aumentar a produtividade sem alterar a área, agregar valor ao produto e manter o pessoal no campo serão as principais desafios para o campo no futuro, em que o sucesso ou não dessa fórmula, vai impactar no abastecimento de alimentos - Marco Antônio Montoya, doutor em economia.

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