Polícia

CMI divulga nota de repúdio à ação da Brigada Militar de Passo Fundo

Autor: Vinicius Coimbra
CMI divulga nota de repúdio à ação da Brigada Militar de Passo Fundo

Conselho Indigenista Missionário disse que policiais “agrediram e torturaram” famílias Kaingang na semana passada, quando índios tentaram ocupar uma área em Passo Fundo

O Conselho Indigenista Missionário (CMI) divulgou uma nota de repúdio à ação da Brigada Militar em Passo Fundo, no último dia 15. O texto diz que, segundo depoimentos de lideranças indígenas prestados ao Ministério Público Federal de Passo Fundo (RS), as famílias decidiram – como forma de chamar a atenção das autoridades federais para a necessidade de demarcação de suas terras – ocupar uma área de domínio do Departamento Nacional de Infraestrutura de Transportes (DNIT), uma área federal, na BR-285.

As lideranças informaram que as famílias montaram acampamento na manhã do dia 15 e por volta das 11 horas do mesmo dia foram surpreendidas com a chegada de mais de 30 policiais da Brigada Militar e do Batalhão de Operações Especiais (BOE) e que estes, de imediato, deram ordem para que saíssem da área.

De acordo com depoimento dos indígenas, houve tentativa de diálogo com os policiais. No entanto, a iniciativa não surtiu nenhum efeito. “De imediato, os policiais passaram a agredi-los. Foram lançadas bombas de gás lacrimogênio e disparados tiros de balas de borracha. Várias pessoas acabaram sendo alvejadas e feridas, dentre as quais crianças, mulheres e idosos”, disse o CMI. Ainda segundo os indígenas, um idoso foi espancado até desmaiar e outro indivíduo recebeu mais de 10 tiros de bala de borracha na perna e no joelho.

Os Kaingang denunciaram também que um rapaz acabou sendo ferido na perna por disparo de bala letal. De acordo com depoimento prestado ao MPF, além das agressões físicas, os indígenas sofreram uma série de constrangimentos e insultos com frases preconceituosas. “Os relatos e as imagens, especialmente a que monstra ao menos treze marcas de bala no joelho de um dos anciões, atestam a possibilidade de ter havido a ocorrência do crime de tortura contra os Kaingang por parte da Polícia Militar do Rio Grande do Sul. O Conselho Indigenista Missionário solidariza-se com as famílias do povo Kaingang e pede providências no sentido de que se investigue, através do MPF e da Polícia Federal, os fatos relatados pelos indígenas, os atos de violência praticados, bem como se a Polícia Militar possuía algum tipo de mandado judicial para agir contra as famílias acampadas na faixa de domínio do DNIT, portanto área de domínio federal”, diz a nota.

Na semana passada, o Comando do 3° RPMon afirmou que ação foi feito para impedir a invasão da área que é de propriedade da Brigada Militar.

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