Economia

Baixa histórica da Selic deve refletir em investimentos

Autor: Matheus Moraes
Baixa histórica da Selic deve refletir em investimentos
Foto: Aline Prestes/DM

Especialista acredita que média de 6,5% ao ano na Selic deve alterar cenário econômico. Além disso, decisão de redução de taxa básica de juros resulta em menor rendimento da poupança

O nível mais baixo já registrado pelo Banco Central (BC) na taxa de juros referente ao Sistema Especial de Liquidação e de Custódia (Selic) deve se refletir diretamente nos investimentos dos brasileiros e ser o desafogo na crise instalada no Brasil nos últimos anos, de acordo com o economista da Universidade de Passo Fundo, professor Julcemar Zilli. Na última quarta-feira (21), o Comitê de Política Monetária (Copom) decidiu reduzir a taxa básica de juro da economia brasileira em 0,25%, o que representou uma queda de 6,75% para 6,5% ao ano na Selic.

O dado é o menor registrado pelo Banco Central, que já realiza uma série de cortes desde o segundo semestre de 2016, quando a taxa de juros beirava 14,25%. Para o economista, a sucessão de quedas na taxa é resultante das quedas da inflação. “Como a inflação vem diminuindo, isso deixa espaço para o governo federal baixar a taxa de juros”, explica Zilli. Em razão da queda, o reflexo será nos investimentos que serão feitos no Brasil a partir de agora.

Na decisão do Copom, foi comunicado que a baixa foi motivada pela queda de inflação e cenário externo favorável. “O conjunto dos indicadores de atividade econômica mostra recuperação consistente da economia brasileira; o cenário externo tem se mostrado favorável, na medida em que a atividade econômica cresce globalmente. Isso tem contribuído até o momento para manter o apetite ao risco em relação a economias emergentes; o Comitê julga que o cenário básico para a inflação evoluiu de forma mais benigna que o esperado nesse início de ano. O comportamento da inflação permanece favorável, com diversas medidas de inflação subjacente em níveis baixos, inclusive os componentes mais sensíveis ao ciclo econômico e à política monetária”, diz o pronunciamento.

Segundo Zilli, a partir dessa decisão, o momento pode ser o de desafogo de uma crise instalada no País. “A gente precisa desses investimentos nesse momento. Investir para que possamos sair dessa crise. Essa redução aquece a economia com investimentos, produção, com mais empregos. Tudo isso acaba interferindo positivamente no cenário nacional, principalmente na economia”, destaca o professor.

Impacto no rendimento do dinheiro guardado

Outro cenário que deve ser alterado em razão da queda histórica é o rendimento da poupança. Zilli explica que a partir do momento em que a Selic registra a taxa abaixo de 8,5%, há uma nova fórmula de cálculo na poupança. “Significa 70% do valor da Selic, então isso acaba gerando desestímulos no que se refere a utilização da poupança como forma de investir. A tendência é que as aplicações em poupanças rendam menos”, esclarece o economista.

Com a alteração no cálculo, a poupança possui remuneração menor. É por isso que, com essa situação, deve haver uma movimentação diferente nas aplicações. De acordo com o professor, os mais conservadores devem manter os valores estagnados na poupança. Mas quem visa investimentos maiores possivelmente irá atribuir o dinheiro em outras formas de aplicações mais rentáveis atualmente. “Quem é mais agressivo vai tirar dinheiro da poupança e aplicar em outros investimentos, que têm valores até melhores que a rentabilidade da poupança. Se pode trabalhar com créditos imobiliários, do agronegócio. Todos eles têm rentabilidades maiores que a poupança. Os mais agressivos em investimentos devem fazer a migração”, completa.

Pela regra em vigor desde maio de 2012, quando a Selic fica igual ou acima de 8,5% ao ano, a caderneta rende 6,27% ao ano (0,5% ao mês) mais a Taxa Referencial (TR), tipo de juro variável. Abaixo de 8,5% ao ano, a caderneta rende 70% da taxa Selic. Não necessariamente todo o saldo da poupança passará a ser corrigido pelo novo cálculo. Os depósitos feitos até 3 de maio de 2012, data em que foi publicada a medida provisória que alterou os rendimentos da poupança, continuarão a render 6,27% ao ano mais a TR, independentemente da taxa Selic em vigor.

Novo corte pode acontecer em maio

Uma nova redução da Selic pode acontecer em maio, quando haverá um novo encontro do Comitê. A evolução do cenário básico tornou adequada a redução da taxa básica de juros em 0,25 ponto percentual nesta reunião. Para a próxima reunião, o Comitê vê, neste momento, como apropriada uma flexibilização monetária moderada adicional. O Comitê julga que este estímulo adicional mitiga o risco de postergação da convergência da inflação rumo às metas”, descreveram na última decisão.

Decisivo para elevar o consumo e os investimentos

A redução dos juros básicos da economia (Selic) para 6,5% ao ano foi uma decisão acertada e essencial para acelerar a recuperação da economia, avaliou a Confederação Nacional da Indústria (CNI). Para a entidade, a inflação baixa e o ainda fraco desempenho da economia permitiram ao Banco Central promover um corte adicional na taxa Selic. “A redução das taxas de juros é crucial para estimular o consumo e os investimentos e garantir a recuperação da economia”, destacou o comunicado.

A CNI, no entanto, advertiu para a necessidade de continuidade das reformas estruturais que reequilibrem as contas do governo, para que os juros possam continuar baixos por longo tempo.

Para o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), o 12º corte seguido da Selic está relacionado à lentidão na recuperação da economia. Na avaliação da entidade, a demanda contida ajudou a manter os preços sob controle, afastando a ameaça de retorno da inflação e permitindo a continuidade do afrouxamento monetário pelo Banco Central.

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