Saúde

Como enfrentar a dor de um luto por suicídio?

Autor: Daniele Freitas
Como enfrentar a dor de um luto por suicídio?
Foto: Divulgação/ Memorial Vera Cruz

O fato de o assunto ser um tabu muito grande em nossa sociedade acaba tornando invisível uma questão bastante recorrente: de que forma é possível superar a dor das pessoas que ficam depois que um suicídio acontece?

Justamente pelo problema não ser levado a sério em todos os países do mundo, os números envolvendo suicídios que chegam até a Organização Mundial da Saúde (OMS) são pouco confiáveis. Por isso, a estimativa média que se tem é de que ocorram 800 mil óbitos por suicídio a cada ano ao redor do mundo. O número equivale a uma morte acontecendo a cada 40 segundos, ou seja: enquanto você leu este parágrafo, um suicídio aconteceu. Essa taxa é alarmante, mas, mesmo assim, a questão ainda passa quase que despercebida no dia a dia das pessoas, que só se dão conta de que ela existe e pode vitimar as pessoas mais improváveis quando, às vezes, já é tarde demais.

Clarice* é mãe de uma menina adolescente. No último mês, sua filha passou por uma tentativa de suicídio. “Lidar com o sentimento gerado pela tentativa de suicídio é complicado; cresce dentro de ti um turbilhão de sentimentos nada nobres”, relata ela sobre a experiência vivida.

A morte, por si só, já causa profundos impactos quando nos deparamos com ela. A questão do suicídio, então, torna a situação ainda mais delicada. Existem muitos tabus sociais que a envolvem, o que dificulta que o assunto seja debatido. É por isso que precisamos falar sobre o suicídio também por este viés: como é tratar a dor de um luto por suicídio?

A psicóloga Rosane Pereira Mayer ressalta que o princípio do luto que se deve ao suicídio de um ente querido é o mesmo do luto por algum outro tipo de morte. Contudo, um suicídio traz, de forma carregada, sentimentos ambivalentes de amor e a raiva. “Por vezes, a culpa, que é inerente a qualquer luto, se intensifica, assim como a curiosidade e as fantasias. E na pergunta que fica incessantemente incomodando: ‘por que ele(a) fez isso?’ E não existe resposta. A dúvida fica para sempre, o sentimento de impotência é muito grande”, pontua a profissional.

Como superar este sentimento?

De acordo com Rosane, o entendimento da situação é a base para o sucesso do tratamento. Ela explica que este é um processo que pode ser superado durante um tratamento, onde a pessoa irá se dispor a entender todos os sentimentos ambíguos que ficam presos dentro de si, aprendendo a lidar com a dor, a raiva, a sensação de abandono, a desestruturação inicial e compreender que não existe situação que permaneça para sempre. “A gente não pode mudar os fatos, mas pode mudar a maneira de lidarmos com eles”, resume. Para isto, é importante lembrar que o tratamento só é eficaz se a pessoa estiver de acordo a passar por ele.

Onde e como buscar ajuda?

Muitas pessoas sentem vergonha ou, até mesmo, pensam que é errado buscar ajuda profissional quando se precisa. É bem pelo contrário: buscar ajuda mostra que você está tentando e tem interesse em superar a situação e voltar a viver uma vida saudável.

Nestes casos, Rosane ressalta que é importante a busca por auxílio e que é necessário procurar profissionais capacitados para tal. “O profissional deve ser alguém que tenha conhecimentos na área, seja empático e saiba indicar o melhor tratamento. Cada caso é único e tratado dentro de sua singularidade”, orienta.

A ajuda buscada pode partir de psicólogos, psiquiatras ou, ainda, de grupos de apoio dirigidos por profissionais da saúde. Além do mais, ela destaca que grupos de apoio fundamentados dentro de dimensões espirituais e/ou filosóficas também costumam ser eficazes para o tratamento.

Apoio mútuo

Depois de todas as orientações ofertadas pela psicóloga Rosane Mayer, a psicologia também orienta que ocorra apoio mútuo dentro das famílias e do círculo de amizades. Às vezes, é muito mais eficiente chamar para uma conversa alguém que está em sofrimento tanto quanto você, do que reprimir estes sentimentos. Para isso, você precisa estar disposto tanto a ser a pessoa que busca este apoio, quanto a ser a pessoa a quem outro alguém irá recorrer quando se sentir à vontade.

*Este é um nome fictício inserido em uma história real.

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