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Saúde

Pet Terapia: Um tratamento movido pelo carinho dos animais

Autor: Daniele Freitas
Pet Terapia: Um tratamento movido pelo carinho dos animais
Foto: Assessoria de Comunicação HSVP/Caroline Silvestro

Terapia Assistida por Animais é oferecida duas vezes por semana a pacientes internados no Hospital São Vicente de Paulo

Desde 2016, eles ganharam espaço em salas específicas e no pátio do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), em Passo Fundo. Entre uma brincadeira e outra, eles não encontram restrições para demonstrar carinho e afeto pelas pessoas que, por algum motivo, estão internadas na instituição. Basta olhar o sorriso no rosto dos pacientes para compreender que a Terapia Assistida por Animais (TAA), projeto desenvolvido pela Residência Multiprofissional em Saúde do HSVP e Residência Profissional Integrada em Medicina Veterinária, traz inúmeros benefícios para idosos e crianças em tratamento hospitalar.

O projeto, que funciona em parceria com a Universidade de Passo Fundo e a Secretaria Municipal de Saúde, já colhe bons frutos. Além dos familiares e dos cuidadores, esses novos amigos chegam para tratar, alegrar e humanizar o cuidado dos pacientes. A Pet Terapia – como também é conhecida - consiste no estímulo do vínculo entre o animal e o paciente, proporcionando um momento de lazer aos que estão internados há vários dias no hospital e diminuindo o estresse característico do período. As sessões ocorrem duas vezes por semana e o ambiente onde os animais são recebidos passa por uma desinfecção antes e após a visita, conforme protocolo estabelecido com o Serviço de Controle de Infecção Hospitalar (SCIH) do HSVP. Só em 2018, 33 crianças e 31 idosos já tiveram essa experiência.

Na última semana, foi a vez do pequeno Samuel Rodrigues da Silva, de quatro anos, participar da Pet Terapia. Ele está internado na ala pediátrica do Hospital São Vicente de Paulo há cerca de duas semanas, devido a complicações na garganta. É só lembrar do contato com a cachorrinha Jade que os olhos dele já brilham de alegria. “Eu corri com ela e brinquei. Eu tenho outra cachorrinha lá na minha casa, então eu fiquei bem feliz. A gente correu tanto que ela ficou com fome, aí eu dei comida pra ela”, conta. Para a mãe dele, a dona de casa Jocélia Rodrigues Possebom, a experiência trouxe um momento de distração em meio às preocupações da rotina hospitalar. “Achei muito legal, porque o Samuel gostou, brincou bastante, correu de um lado pro outro. Percebi que ele ficou ainda mais calminho. Imagina só que ele não queria ir embora da sessão, passou a tarde toda falando da Jade”, revela.

O projeto, implementado na instituição há cerca de dois anos, é disponibilizado a pacientes a partir de alguns critérios de seleção, como o tempo de internação e o quadro de saúde. “É desejável que esse paciente esteja internado há mais de três dias e ele não pode ter nenhuma doença infectocontagiosa, que é uma contraindicação para a Pet Terapia. Identificamos esses pacientes e realizamos as sessões duas vezes por semana. Geralmente, são de duas a quatro crianças que participam, de forma separada para não perder o foco, ficando o paciente sozinho com o animal. No caso dos adultos, especialmente os idosos, pode ser dois de cada vez”, explica a fisioterapeuta residente do Programa de Saúde do Idoso, Luisa Tiecker Reidel. De modo geral, os pacientes participam da terapia a partir da indicação da equipe de residentes, sempre com o aval do médico responsável. No entanto, o contato com os bichos faz tanto sucesso que, por vezes, são os familiares ou os próprios pacientes que pedem para realizar a sessão.

Em sua maioria, os animais utilizados na TAA são cachorros, devido à sua característica de interação com o paciente. Porém, desde que o projeto existe no HSVP, as sessões já receberam as visitas de papagaio, de gato e até mesmo de um coelho, na Páscoa do ano passado. Para participar desse tipo de terapia, os animais passam por alguns procedimentos realizados pelos residentes do setor de Medicina Veterinária da Universidade de Passo Fundo. Segundo a fisioterapeuta, um dos requisitos é que o animal tenha mais de um ano de idade. “Ele passa por uma série de exames para provar que ele está apto a participar da Pet Terapia. Além dos exames laboratoriais, eles também fazem alguns testes de estresse, para verificar se o animal vai se adaptar ao convívio com pessoas estranhas nesse ambiente. Além disso, antes das sessões, como parte do procedimento, o animal passa por todo uma higienização no pet shop”, reforça.

Diferentemente do que muitas pessoas imaginam, a Pet Terapia não é realizada com os bichinhos de estimação dos próprios pacientes, mas com animais selecionados e adestrados, que atendem ao perfil para participar das sessões. A nutricionista residente do Programa de Atenção ao Câncer do HSVP, Fernanda de Bona Coradi, pontua que, neste momento, a equipe só trabalha com animais que tenham sido avaliados pela Medicina Veterinária e aprovados para a função. “Eles têm que ter todas as vacinas em dia e nenhum tipo de doença. Há tutores que disponibilizam esses animais para nós duas vezes por semana. Como estamos em um ambiente hospitalar, precisamos ter todo esse cuidado, eliminar as chances de ter qualquer contaminação para não colocar o paciente em risco”. Em média, cada sessão dura cerca de trinta minutos.

A receptividade das crianças e dos idosos que estão internados no HSVP não poderia ser melhor. De acordo com a nutricionista, há até mesmo quem peça para ter a experiência novamente. “Os pacientes nos agradecem muito pela oportunidade. Nós privilegiamos aqueles que estão internados há mais tempo, porque a Pet Terapia é justamente para desviar um pouco o foco do ambiente hospitalar e da própria doença. O fato de eles estarem internados faz com que eles fiquem pensando o tempo todo na doença deles, em quanto tempo já estão longe de casa e até na saudade dos animais de estimação deles. Nós vemos o quanto eles gostam de estar participando, o quanto eles ficam felizes e até respondem melhor ao tratamento”, destaca. Para melhorar ainda mais os resultados, os médicos veterinários efetuam uma pré-seleção dos animais, indicando quais serão para a terapia das crianças e quais serão para a dos adultos. “Os cachorros interagem muito com as crianças e se torna muito divertido. Eles brincam muito. Às vezes, as crianças fazem chapinha no pelo do cachorro, usam o secador de cabelo, jogam as bolinhas para o animal buscar. Outras já preferem só ficar com o cachorro no colo. Isso varia conforme cada paciente”, elenca. Os idosos, por sua vez, têm um perfil mais tranquilo e preferem fazer carinho no cachorro e segurá-lo no colo. Na maioria das vezes, os animais destinados aos adultos são adestrados e realizam algum truque ou brincadeira, justamente atendendo a essa necessidade específica do paciente.

O surgimento da Terapia Assistida por Animais

A TAA foi utilizada intuitivamente por William Tuke, em 1792, na Inglaterra, no tratamento de doentes mentais. O retiro de York, um tipo de instituição psiquiátrica, mantinha animais em seus pátios arborizados nos quais os pacientes passeavam. Em 1867, a mesma técnica foi usada com pacientes psiquiátricos em uma Instituição da Alemanha. No Brasil, o interesse pela TAA teve início ainda na década de 60, mas somente a partir de 1990 foram implantados os primeiros estudos científicos, iniciados com a Dra. Nise da Silveira, que relatou sua experiência no livro Gatos.

É importante salientar que a terapia com animais não promete a cura de doenças, mas, por outro lado, proporciona benefícios físicos e mentais aos pacientes, tais como: melhoria da capacidade motora, dos sintomas da depressão, do sistema imunológico, o equilíbrio de sustentar-se, diminui a ansiedade e a pressão sanguínea, aumentam a sociabilidade e sentimento de autoestima, melhora a adesão ao tratamento e as habilidades de atenção. Qualquer pessoa pode fazer uso da terapia animal: idosos, adultos ou crianças com problemas psiquiátricos, portadores de deficiência física ou mental, com câncer ou soropositivos e pacientes domiciliares ou hospitalizados.

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