Política

Piadas, blefes, escadas, outsiders e no páreo

Autor: Daniel Rohrig
Piadas, blefes, escadas, outsiders e no páreo
Foto: Agência Brasil

Das 15 pré-candidaturas oficializadas até o momento, apenas cinco estão abaixo da média geral de idade entre os nomes apresentados pelas legendas para disputar a presidência da república. Especialista avalia características da nominata

A diferença de idade entre o pré-candidato mais jovem e o mais velho na disputa pelo comando da República Federativa do Brasil nestas eleições é de quarenta e três anos. O número é muito próximo da média de idade entre todas as 15 possíveis candidaturas, que é de cinquenta e nove anos. Nesta relação, apenas cinco nomes têm menos de 60 anos de idade, conforme o levantamento feito pela reportagem do Grupo Diário da Manhã. Alguns especialistas ouvidos afirmam que, desde a redemocratização do país, as eleições de 2018 serão marcadas pela grande quantidade de nomes concorrendo ao Palácio do Planalto.

Até agora, o contexto que envolve o próximo pleito é, no mínimo, atípico. Enquanto partidos pequenos, que antes costumavam coligar-se com siglas de maior representatividade, lançam candidaturas próprias, legendas de relevância na política nacional como MDB, PT e PSB ainda debatem a nominata ou possíveis coligações. O primeiro – antigo PMDB – mudou de nome e voltou às origens quando ainda era uma frente de oposição ao regime militar. O Partido dos Trabalhadores (PT), por sua vez, venceu as últimas quatro eleições presidenciais, porém, seu maior líder – o ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva - está preso em Curitiba desde abril, condenado a 12 anos e 1 mês de prisão pelos crimes de corrupção passiva e lavagem de dinheiro na Operação Lava-Jato. Também com expectativa em lançar um nome próprio para a presidência, o PSB se frustrou nesta semana com a desistência do ex-ministro, Joaquim Barbosa, em concorrer ao cargo pelo partido.

A situação fica ainda mais complexa quando o assunto é uma possível tentativa de emplacar Michel Temer como candidato pelo MDB à presidência. O partido sinalizou a possibilidade de apresentar um nome próprio ao Planalto pela primeira vez desde a redemocratização. Contudo, os índices de aprovação do governo de transição comandado por Temer é baixíssimo e oscila entre 3% e 5%. Já nas pesquisas de intenção de voto, o presidente figura com apenas 1%. Uma alternativa é apresentar o ex-ministro da Fazenda, Henrique Meirelles como opção, mas o nome também não desponta entre os favoritos. Temer, vice de Dilma por dois mandatos, assumiu a presidência após um processo de impeachment que, apesar de seguir os trâmites legais, foi bastante contestado pela maneira como foi conduzido e pelos personagens envolvidos – alguns até presos posteriormente por envolvimento em corrupção, como o ex-deputado federal, Eduardo Cunha.

“Vai lembrar um pouco daquela eleição da redemocratização, da nova constituição, com um número gigante de candidatos em que os debates tinham mais de dez participantes. Na época, eram personagens como Brizola, Ulisses Guimarães, o próprio Lula”, afirma o mestre em Direito de Estado e professor de Ciência Política, Ronaldo Villa Laux. O especialista projeta as eleições de 2018 como uma novo processo de fortificação da democracia. Por um lado, a pluralidade é válida, já por outro, é preciso certa cautela com os “salvadores da pátria”, conforma prossegue Laux. “Vai aparecer muitos salvadores da pátria, muita gente propondo novidade, mas todo mundo se apresentando como uma alternativa de solucionar os problemas do país”, aponta.

Na coluna ao lado, confira o ranking das quinze pré-candidaturas confirmadas para a presidência da República, com a nominata, a respectiva idade e partido.

 

Ranking de pré-candidatos por idade

1 - Guilherme Boulos – PSOL / 35 anos

2 - Manuela D’Ávila – PCdoB / 37 anos

3 - Rodrigo Maia – DEM / 47 anos

4 - Vera Lúcia – PSTU / 50 anos

5 - João Amoêdo – Novo / 55 anos

6 - Flávio Rocha – PRB / 60 anos

6 - Marina Silva – Rede Sustentabilidade / 60 anos

6 - Ciro Gomes – PDT / 60 anos

7 - Jair Bolsonaro – PSL / 62 anos

8 - Geraldo Alckmin – PSDB / 65 anos

9 - Levy Fidelix – PRTB / 66 anos

10 - Fernando Collor – PTC / 68 anos

11 - Paulo Rabello de Castro – PSC / 69 anos

12 - Álvaro Dias – Podemos / 73 anos

13 - José Maria Eymael – PSDC / 78 anos

Em busca da velha novidade

Muitos nomes que retornam à cena já são antigos conhecidos dos eleitores. Outros, aparecem pela primeira vez mas sem muita expressividade. Por fim, como em todas as eleições, há candidaturas sem a menor chance de vencer mas que aparecem para conseguir espaço e mídia, nem que seja somente até outubro. Em linhas gerais, está a a avaliação de Laux sobre os possíveis presidenciáveis. Para o professor universitário, o nome do novo presidente da república virá de uma lista classificada em candidaturas no páreo, candidaturas piadas, candidaturas blefe, candidaturas escada ou dos outsiders.

Candidaturas piadas

São os nomes que viram ‘meme de internet’. Neste grupo, Laux inclui dois nomes que há várias eleições aparecem como opção mas que, nas urnas, a representatividade é irrisória. José Maria Eymael (PSDC) é o mais velho entre os candidatos. Em 1986, foi eleito deputado federal por São Paulo, reeleito em 1990. Como parlamentar federal, Eymael defendeu a manutenção da palavra Deus no preâmbulo da atual Constituição Federal durante a Assembleia Constituinte, Já Levy Fidélix (PRTB) é lembrado pelos debates acirrados com Luciana Genro (PSOL), nas eleições passadas. Apresentador de televisão, professor universitário e publicitário, Fidélix já concorreu três vezes à prefeitura da capital paulista e duas vezes ao governo de SP.

Candidaturas blefe

Correspondem à nomes que se lançam como pré-candidatos mas que acabam deixando a ideia de lado na hora de homologar a chapa. Nesta lista, Laux aponta Rodrigo Maia (DEM) como integrante. Maia tem buscado ser uma alternativa de centro e, em suas próprias palavras, “sem radicalismos”. Ele assumiu o comando da Câmara após a queda de Eduardo Cunha (MDB-RJ). Segundo o professor, Maia não quer perder o foro privilegiado e, portanto, será candidato a outro cargo que tenha chances de vender.

Candidaturas escada

Servem de ‘escada’ para conduzir nomes para outros cargos e não necessariamente à presidência. Laux cita como exemplo, Manuela D’Ávila (PCdoB), que se apresenta como uma líder jovem de esquerda ao Planalto, mas com foco na prefeitura de Porto Alegre em 2020. Esta é a primeira vez que o PCdoB lançará candidato próprio desde a redemocratização de 1988. Um dos motes da campanha será o combate à crise e à “ruptura democrática” que, segundo a legenda, o país vive. Guilherme Boulos, do PSOL, o mais jovem da nominata, também participaria do pleito para alcançar outros cargos públicos mais adiante. Um dos líderes do movimento pelo direito à moradia no Brasil, Boulos ficou conhecido nacionalmente após as mobilizações contra a realização da Copa do Mundo no país, em 2014. Mais à esquerda, o PSTU lança Vera Lúcia para a presidência. A pré-candidata tem 50 anos, foi militante no PT e integrante do grupo fundador da legenda.

Candidaturas no páreo

Com certa expressividade nas pesquisas, mas também, com passado político e repetição de nomes, os candidatos considerados no “páreo” para assumir o Planalto são bem tradicionais, na visão de Laux. Nesta lista estão Álvaro Dias, do Podemos, legenda que busca imprimir a bandeira da renovação da política e da participação direta do povo nas decisões do país; Ciro Gomes, do PDT, que concorre pela terceira vez ao posto mais alto do Executivo. Alguns cientistas políticos acreditam que, com Lula preso, Ciro seria a alternativa da esquerda para chegar ao segundo turno. Marina Silva, da Rede, repetiu o comportamento de se ausentar dos debates políticos nos últimos quatro anos para só aparecer na corrida eleitoral. Critica o mecanismo da reeleição, que, segundo ela, se tornou um “atraso” no país. Geraldo Alckmin, do PSDB, virá nos mesmos moldes que em outras eleições. Laux lembra o comportamento contraditório do tucano em eleições anteriores, quando foi derrotado por Lula. Por fim, com perfil completamente diferente dos demais concorrentes, Jair Bolsonaro, do PSL, é considerado o candidato mais polêmico por defender algumas bandeiras, como a ampliação do acesso a armas e um Estado cristão, além de criticar modelos de família, segundo ele, "não tradicionais”, como o casamento homossexual.

Outsiders

A expressão em inglês significa “de fora do universo político”, ou em outras palavras, os candidatos de primeira viagem. Estão nesta lista João Amoêdo, do Novo, partido com caráter mais liberal; Flávio Rocha, do PRB, que atualmente exerce a função de CEO do Grupo Guararapes, um dos maiores grupos empresariais do país. Joaquim Barbosa, do PSB, também seria um opção do mundo externo da política à Presidência, mas confirmou nesta semana que não será candidato. Como membro da Suprema Corte de 2003 a 2014, Joaquim Barbosa ganhou notoriedade durante o período em que foi relator do processo do mensalão, que condenou políticos de diversos partidos pela compra de apoio parlamentar nos primeiros anos de governo do PT.

Prazos

De acordo com a legislação, os partidos políticos devem promover convenções nacionais com seus filiados entre 20 de julho e 5 de agosto para que oficializem as candidaturas. A data final para registro das candidaturas pelos partidos políticos na Justiça Eleitoral é 15 de agosto.

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