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Economia

Compras por impulso afetam o orçamento familiar

Autor: Caetano Bortolini Barreto
Compras por impulso afetam o orçamento familiar
Foto: Caetano Barreto/DM

Economistas e representantes do comércio alertam para o uso indevido do crédito, que pode levar à falência e comprometer a relação do consumidor com o mercado

O período de crise na economia brasileira ainda deixa rastros, mas a crescente confiança no mercado tem gerado uma nova onda de produtos financeiros, incluindo novas linhas de crédito. A democratização do crédito no Brasil, principalmente entre as classes menos favorecidas, é um fenômeno que ganhou força apenas recentemente, de modo que muitos consumidores ainda não aprenderam a lidar com as consequências do seu uso.

Segundo um estudo realizado em todas capitais pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil) e pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) , o crédito fácil levou 59% dos brasileiros à compra impulsiva. A economista e professora da UPF, Cleide Moretto, acredita que a cultura consumista pode ser prejudicial à saúde financeira das famílias: “Se eu sair com dinheiro no bolso, em um dia que não planejei fazer compras, e não consigo voltar pra casa sem comprar algo, isso já é o primeiro fator de preocupação. O segundo fator é que nós somos voltados ao presente, não costumamos pensar no futuro. Somos uma sociedade que tem níveis de poupança muito baixos em comparação a outros países. Então existe uma tendência de viver o hoje, tanto que o trabalhador, no momento em que consegue seu emprego, ele nem assinou a carteira, ainda está em período de experiência, e vai em alguma loja e já faz algum crediário, pois ele tem um documento que formaliza seu emprego. Então, esse vício de consumo que nós temos de comprar em parcelas, em crediário e cartão de crédito, isso faz com que utilizemos uma renda que não é uma renda real. Isso tudo gera problemas, e o nível de endividamento é muito elevado”, explicou Moretto. Carina Sobiesiak, presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Passo Fundo (CDL), também defende um plano de gastos: “O planejamento financeiro nas famílias é extremamente importante para você manter um crédito sempre ativo, não ter eu nome registrado. O rotativo do cartão é perigoso, o cheque especial também, devem ser usados só em casos emergenciais”.

Cartão de crédito merece atenção

O crédito é um recurso de pagamento que, se bem utilizado, pode viabilizar sonhos, ajudar na aquisição de um bem de consumo e até mesmo socorrer as pessoas em momentos de dificuldade. No entanto, é preciso ter planejamento financeiro para não assumir compromissos que o bolso não suporta. O estudo do SPC Brasil e CNDL revela que no último mês de fevereiro, em cada dez consumidores, seis (59%) aproveitaram as facilidades do crédito para fazer compras não planejadas. Uma parcela desses compradores, além do ato impulsivo de comprar, também não parecem compreender o parcelamento. Ainda conforme o estudo do SPC, em cada dez brasileiros que parcelam, um (15%) divide a compra no maior número possível de prestações, independentemente do valor. Outros 31% são mais prudentes e afirmam levar em consideração a alternativa com um número de parcelas que mais se encaixa a sua realidade financeira, enquanto 18% optam pela menor quantidade de prestações disponíveis.

Moretto reitera a precaução: “A primeira coisa a entender é que o fato de ter três ou quatro cartões de crédito, que são muito fáceis de conseguir, que os limites deles não vão somar na hora de gastar. O que se deve fazer é utilizar o cartão de crédito dentro do limite real da minha renda. Se eu ganho R$ 1 mil por mês, é isso que eu tenho para gastar. Se o cartão me oferece mais do que esses R$ 1 mil, e eu não conseguir pagar, aí vou ter um problema sério, pois o juro do cartão de crédito é o mais elevado do mercado, o segundo é o cheque especial. O cartão deve ser usado só como meio fácil de pagar, em vez de utilizar cheque ou algo do tipo, e se deve gastar somente dentro do valor que está disponível no mês, e tentar não parcelar a fatura do cartão. Então a dica é essa: parcele a compra, mas nunca parcele o cartão de crédito”. Pelo levantamento do SPC, o cartão de crédito, seja em uma ou várias parcelas, é a modalidade de pagamento a prazo mais citada pelos entrevistados, utilizado principalmente, para gastos na aquisição de eletrônicos (46%), compras de roupas, sapatos e acessórios (37%) e gastos com remédios (25%).

Economizar...

Para Moretto, além do cuidado com o crédito, a melhor saída ainda é economizar: “A poupança paga 6% ao ano, então para os pequenos poupadores, aconselho a fazer seu cofrinho em uma poupança bancária, que inclusive não paga tributação, e aquele dinheirinho fica rendendo, e o segredo é esse. Claro que isso vai depender do esforço que cada família fizer, mas se pode começar com um valor pequeno. Hoje acredito que uma família com mais de um membro trabalhando consiga guardar mais de R$ 50 por pessoa ao mês”, explanou.

O dólar, que tem aumentado seu valor constantemente por questões externas, também pode influenciar no endividamento do brasileiro. “É importante destacar que a alta da moeda americana ou a desvalorização da taxa de câmbio elevará os custos de produção de muitos insumos e matérias primas importados tais como: insumos agrícolas, componentes eletrônicos, petróleo, etc. A elevação dos custos implicará a alta dos preços de muitos produtos internamente, ocasionando o que os economistas denominam de inflação de custos”, explica Ginez de Campos, economista e cientista político. Mas para o professor de economia Julcemar Zili, algumas mudanças de hábito podem amenizar o impacto do dólar no bolso: “A partir do momento em que a cotação cambial está alta, aquele vinho importado, por exemplo, chega no Brasil mais caro. Então, se o objetivo é manter o padrão de consumo, ou seja, consumir aquele vinho importado, tu vai gastar mais. E isso força de uma maneira geral os preços a subirem. Mas também há a situação em que nós temos substitutos nacionais que são muito bons, você troca o importado pelo nacional, então isso também estimularia a indústria brasileira”, concluiu.

Sobiesiak alega que o lojista também se preocupa com esse fator: “A gente sempre prega no comércio a compra consciente, porque a gente também quer que o cliente esteja com o crédito dele em dia, compre e pague para poder comprar de novo, isso é saudável tanto pro comércio quanto pro consumidor, os dois lados têm que se sair bem”, defendeu a presidente do CDL.

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