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Greve da Codepas pode parar na justiça

Autor: Matheus Moraes
Greve da Codepas pode parar na justiça
Foto: Matheus Moraes / DM

Empresa espera conciliação com trabalhadores até às 9h de hoje. Se não houver acordo, Codepas ingressará no TRT e pedirá interrupção da greve por irregularidades

A greve dos trabalhadores da Companhia de Desenvolvimento de Passo Fundo (Codepas), iniciada na manhã dessa terça-feira (5), já causa impactos na cidade. Sem ir às ruas, os coletivos, que ficaram na garagem da empresa durante todo o dia, desassistiram pelo menos 14 mil pessoas que transitam com os ônibus da empresa diariamente. Segundo a Codepas, o bairro Integração ficou totalmente desassistido nessa terça-feira. Além dos trabalhadores de ônibus, funcionários da empresa que atuam no estacionamento rotativo Área Azul e na coleta de lixo também paralisaram suas atividades.

Em contato com a Codepas, no fim da tarde dessa terça-feira, a empresa comunicou que entrará com ação no Tribunal Regional do Trabalho (TRT) se não houver conciliação com os trabalhadores até às 9h desta quarta-feira. A alegação será de que houve irregularidade na greve, por não ter ocorrido aviso prévio de 72 horas para a empresa e pela não utilização de 30% da frota nas ruas, considerado como serviço essencial à população. “Se não houver conciliação, quem vai decidir é a Justiça. O documento está pronto”, afirmou o presidente Tadeu Karczeski à reportagem do Jornal Diário da Manhã.

Sem sair da sede da Codepas, atrás da Prefeitura de Passo Fundo, os trabalhadores da coleta de lixo deixaram de percorrer a região central, onde realizam diariamente o recolhimento de resíduos nos contêineres azuis e laranjas. Os trabalhadores recolhem 1,1 mil tonelada de lixo por mês nos espaços da região central. Ao todo, o prejuízo da empresa ocorreu em razão da interrupção do serviço de 55 duplas – 110 homens – do transporte coletivo, 24 trabalhadores da coleta de lixo e 14 do estacionamento rotativo.

Diante de uma proposta apresentada pela Codepas no fim da segunda-feira (4), os trabalhadores se reuniram na manhã de ontem na sede da empresa pública para analisar a oferta de 2% de reajuste salarial - 1% retroativo à data base de abril e 1% retroativo ao mês de junho -, além de R$ 517 líquido no tíquete alimentação ou R$ 630 por dia trabalhado. Em assembleia, eles decidiram recusar a nova proposta e iniciaram a paralisação. Horas depois, uma reunião entre representantes da empresa e do Sindicato dos Trabalhadores do Transporte Coletivo Urbano de Passo Fundo (Sindiurb) foi realizada, mas também encerrou sem acordo entre as partes. A partir da reunião, foi decretada greve por tempo indeterminado, e não apenas paralisação durante algumas horas.

De acordo com o presidente do Sindiurb, Miguel Valdir dos Santos Silva, pouco mudou nas novas propostas apresentadas pela Codepas aos trabalhadores. A última, inclusive, apenas alterou um mês de recebimento retroativo do reajuste, de 1o de agosto para 1o de junho. “Entendemos que a Codepas tem condições de repassar um pouco mais aos trabalhadores, porque ela tem fonte de recursos”, afirma. Segundo o presidente, ainda há outras queixas dos trabalhadores que também entraram em consideração para a greve. “Só com uma greve somos ouvidos. Tem alguns problemas também que a empresa tem que não foram citados ainda. O próprio caminhão de lixo não sai algumas vezes por déficit de trabalhadores. É uma coisa que a categoria pede, porque está sobrecarregada. Teve duas duplas que saíram e esse quadro não foi reposto. Existem esses sérios problemas na Codepas que também estamos tentando resolver”, aponta Miguel.

O motorista da Codepas, Paulo Silvano, que participou da reunião nessa terça-feira, declara que os trabalhadores da empresa merecem receber algo “diferente” dos demais trabalhadores de outras empresas de ônibus. “Estamos pleiteando algo justo. Não é nada inventado ou que não seja possível. Nós pedimos algo para melhorar nosso dia a dia das nossas famílias. A Codepas pode fazer isso por nós. Nós fizemos concurso, passamos, achamos que merecemos algo melhor. Não somos mais que ninguém, mas achamos que merecemos algo diferente porque passamos por concurso público”, comenta.

Os trabalhadores da empresa ainda são os únicos que não receberam reajuste salarial neste ano, visto que empregados da Coleurb e Transpasso já entraram em acordo para acréscimo salarial no último mês. E é exatamente nesse ponto que a Codepas considera não entender o motivo da greve dos trabalhadores, em razão de que a proposta oferecida é superior ao que já havia sido acordado entre outras empresas e seus respectivos funcionários. Em nota oficial divulgada ainda na segunda-feira, a empresa diz que “não poderia deixar de comparar com as demais empresas que atuam no ramo na cidade, que mesmo com os reajustes já acordados e que vão estar ativos apenas em agosto de 2018, ou com aumento da passagem, são inferiores aos valores da Codepas”.

Segundo Miguel, do Sindiurb, os trabalhadores pedem mais em razão da Codepas ter outras fontes de renda além dos ônibus, diferente de outras empresas do setor. “São situações e empresas diferentes. A Codepas tem quatro fontes de recursos, enquanto a empresa privada tem apenas um. O pessoal [grupo de trabalhadores] fez concurso, a maioria já trabalhou em outras empresas. Vieram para a Codepas para ganhar mais, manter o que tinham e buscar algo melhor. Por ela ter essa fonte de recurso, ela poderia oferecer mais ao trabalhador, que é o que dá lucro para a empresa”, defende.

Bairro desassistido

A greve na totalidade da frota da Codepas é um dos pontos que a empresa contesta e deve usar como argumento para trancar a paralisação judicialmente. Segundo a empresa, o bairro Integração foi o mais afetado com a situação, por não ser atendido por outra empresa de transporte coletivo. Em razão da paralisação, as paradas de ônibus ficaram mais cheias que o normal. O passo-fundense Valdecir Prestes Neto, que se deslocava do Centro ao bairro Integração, precisou usar dois transportes públicos para chegar ao destino. “Nos afeta muito, porque dependemos deles para poder nos transportar até o trabalho. Agora eu preciso pegar dois ônibus para ir pra casa. Mas apoiamos eles. É a mesma situação dos caminhoneiros, atrapalha a gente mas não podemos deixar de apoiar pra um Brasil melhor”, relatou.

Administração contestada

Motivados pelo não entendimento de uma oferta maior, muitos trabalhadores acabaram contestando a administração da Codepas. Para o motorista Elisandro Moura, que paralisou suas atividades ontem, a empresa poderia transportar mais passageiros e arrecadar mais. Segundo ele, com alteração de escalas e de horários, o lucro da empresa seria maior e, consequentemente, o salário do empregado também. “Acho que a empresa está sendo mal administrada. Não é feito um trabalho para melhorar isso, como existe em outras empresas da cidade. Se mexe em escala, em horários. Coisa que não temos. Às vezes pedimos para trocar horário para ter mais passageiros. Eles não fazem essa troca. Se acontecesse, nós teríamos mais usuários nos ônibus, a empresa estaria melhor e nosso salário melhoraria também”, desabafa o trabalhador.

Codepas não entende motivo da greve

Por meio de nota, a Codepas declarou não compreender a motivação da greve em virtude de ter oferecido uma proposta superior às demais empresas da cidade, que entraram em acordo com seus trabalhadores. De acordo com a Codepas, dentro da proposta de 2% de reajuste salarial oferecida, o salário do motorista da empresa seria de R$ 2.351,83 e do cobrador de R$ 1.481,63, além de R$ 517,60 no valor líquido do tíquete alimentação ou R$ 630 por tíquete diário.

A oferta, em comparação com as outras empresas, representa um valor superior de cerca de R$ 100 no salário do cobrador, R$ 140 do motorista e R$ 168 de tíquete alimentação.

Propostas gradativas

Em negociação desde 6 de abril, durante os dois meses de conversas houve um aumento significativo nos valores propostos. A primeira tratativa oferecida pela Codepas foi de 1,56% de reajuste salarial, logo rejeitada pela categoria. Depois, a empresa ofereceu 1,81% de reajuste salarial, além de R$ 615 no tíquete alimentação, que também não foi aceito. Na última semana, a proposta rejeitada foi de 2% de reajuste salarial e R$ 615 no tíquete alimentação. Nesta proposta, 1% do reajuste seria com data base retroativa a abril e o outro 1% a partir de 1o de agosto. A nova proposta também sofreu rejeição da categoria. Na segunda-feira, a quarta tentativa da Codepas foi dos mesmos 2%, porém com o 1%, que entraria em agosto, adiantado para junho. Além disso, o valor do tíquete alimentação líquido de R$ 517,60 ou R$ 630 por tíquete diário. Atualmente, o valor do tíquete diário é de cerca de R$ 507.

A paralisação em números

Transporte público
22 linhas
10 bairros
110 trabalhadores

Coleta do lixo
6 motoristas
18 garis

Estacionamento rotativo
14 fiscais

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