Meio Ambiente

Apenas 3% do lixo produzido em Passo Fundo é reciclado

Autor: Édson Coltz - Rebecca Mistura
Apenas 3% do lixo produzido em Passo Fundo é reciclado
Foto Rebecca Mistura/ DM

Na semana do meio ambiente, campanha chama atenção para o uso insustentável do plástico e à falta de conscientização na hora de separar o lixo orgânico do seco

Édson Coltz
Rebecca Mistura

Quanto plástico você consome todos os dias? Na Semana Mundial do Meio Ambiente, o foco é a redução na produção e uso do material. A ONU Meio Ambiente lançou o tema #AcabeComAPoluiçãoPlástica. Em Passo Fundo, cooperativas de reciclagem reportam o recebimento de até 500 kg de plástico diariamente, mas entre as embalagens e produtos descartados todos os dias, a maioria acaba não chegando aos centros de reciclagem e muitos sequer são dispensados de maneira correta.

De acordo com levantamento da ONU, a cada minuto são compradas um milhão de garrafas plásticas e 90% da água engarrafada contêm microplásticos. De acordo com o organismo internacional, metade do plástico consumido no mundo é descartável e pelo menos 13 milhões de toneladas vão parar nos oceanos anualmente, afetando 600 espécies marinhas, das quais 15% estão ameaçadas de extinção. No município, as cooperativas de reciclagem transformam as toneladas de plástico recebidas semanalmente nos chamados fardos, conta Leonir Monteiro, funcionária há 12 anos e hoje administradora de um dos pavilhões da Cootraempo, cooperativa localizada no bairro Santa Marta. “Os plásticos são divididos entre mistos e brancos, chamado cristais, e cada um tem um valor diferenciado na hora da venda para as empresas.”, informa Leonir. Os valores variam entre 45 centavos e R$ 1,10 o quilo. A cidade possui pontos certos de coleta e o caminhão da cooperativa recolhe todos os dias. “A questão da limpeza é feita toda na cooperativa”, explica. Todo o plástico recebido pode ser reciclado, sem recomendações; ao contrário do papel, por exemplo, que não deve ser amassado. “É papelão, é cristal, é sacolinha, caixinha de leite, plástico misto. Todo esse material passa aqui na reciclagem”, acrescenta a funcionária. Presidente de outra cooperativa de reciclagem que atua no município, a Recibela, Nelson de Ramos informa que somente cerca de 90 a 100 toneladas de lixo são recicladas mensalmente, quando a quantia de lixo recebida por dia é de aproximadamente 150 toneladas, resultando num percentual muito baixo do que é reciclado, somente 2%.

Apesar da alta quantidade de lixo recolhido pelas cooperativas, a questão da reciclagem está longe do ideal. De todo o lixo colhido em Passo Fundo, o material reciclado não chega a 3%, informa o coordenador do Grupo Ecológico Sentinela dos Pampas (GESP), Paulo Cornélio. E o lixo que não pode ser reutilizado acaba sendo enviado ao município de Minas do Leão. “Uma parte é selecionada pelos cooperadores, mas grande parte, mais de 95%, é transferida para Minas do Leão e isso é um gasto muito grande”, informa Cornélio. “Nós temos hoje o plano municipal de resíduos e ele abrange essas discussões e até o ano de 2025 devemos estar com um índice muito maior”. O coordenador se refere à Lei nº 5286, de 26 de outubro de 2017, que institui o Plano Municipal de Gestão Integrada de Resíduos Sólidos (PMGIRS), no qual a administração municipal assume a responsabilidade de implantar políticas públicas para o manejo de resíduos sólidos, não sendo necessário transportar o lixo produzido em Passo Fundo para outra cidade.

Implantação das sacolas biodegradáveis

No dia 18 de novembro de 2010, foi sancionada uma lei de autoria do, à época, vereador de Passo Fundo, Juliano Roso (PCdoB), que visava a obrigatoriedade do uso de sacolas plásticas biodegradáveis em estabelecimentos comerciais. A norma estabelecia um prazo de até quatro anos para que os estabelecimentos se adequassem à nova legislação. “Essa lei em diversos momentos na Câmara de Vereadores foi alterada”, conta o coordenador do GESP, referindo-se às alterações na redação da lei, que, em 2015, estabeleceu um novo prazo até 31 de dezembro de 2016. Mesmo com o prazo estendido, a lei não vem sendo cumprida. “Nós entregaremos no próximo dia 13 um documento ao Ministério Público, para que essa discussão seja feita de forma mais efetiva”, acrescenta Cornélio. “No dia 3 de julho estaremos na Câmara debatendo com a comissão de Direitos Humanos, Cultura e Meio Ambiente uma proposta para que o município comece realmente a cobrar principalmente da área do comércio, supermercados e outros segmentos, para que implante essa sacola”. De acordo com o coordenador, a sacola biodegradável tem sua decomposição muito mais rápida, diferentemente da sacola convencional, que demora mais de 100 anos para se decompor. “A legislação foi apresentada em 2010 e estamos em 2018, oito anos depois e até hoje ela não está sendo implantada. Há uma resistência, por questões econômicas, mas nós vamos cobrar na Câmara de Vereadores para que a medida venha a funcionar”, finaliza.

A separação do lixo

Uma maneira de ajudar na reciclagem é realizando a separação do lixo, seja em casa ou nos locais públicos de descarte correto. Em Passo Fundo a coleta seletiva existe há algum tempo, mas não é inteiramente trabalhada de forma adequada. “Nós temos os contêineres com duas cores específicas, o laranja e o azul, então isso já é uma proposta para que a população, quando coloque o material, selecione o úmido ou orgânico e o material seco, facilitando no recolhimento e, na usina, a separação. Há partes na área central que dá pra dizer que é um caos. A população ainda não consegue fazer a separação de forma adequada”, lamenta o coordenador. “Precisamos fazer uma campanha muito forte para que as pessoas estejam mais sensíveis e comecem a separar de maneira mais intensa.” De acordo com ele, há intenção de expandir os contêineres para os bairros, uma vez que se encontram apenas na área central. “Existem caminhões específicos da prefeitura que realizam o recolhimento e alguns bairros já avançam na questão de separação, mas os avanços ainda são poucos pelas necessidades do município. A resistência da população ainda é grande para separar. Hoje mesmo passei em um contêiner que era destinado ao material orgânico e tinha isopor junto”, acrescenta. “E aí entra o papel do município e nós da sociedade civil, do Sentinela dos Pampas, incentivar cada vez mais o processo da educação ambiental”. Outra questão é a importância da separação pelo viés da segurança. Nelson de Ramos, presidente da Recibela, aponta para o cuidado da separação, especialmente em relação ao vidro: “Muitas vezes as pessoas misturam pet ou vidro, como o vidro quebrado, que necessita de uma separação especial, enrolado em jornal. Nós usamos luvas, mas às vezes os funcionários acabam se cortando porque não há essa separação”, conta.

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