Saúde

Um novo método de diagnóstico para doenças do fígado

Autor: Daniele Freitas
Um novo método de diagnóstico para doenças do fígado
Foto Divulgação

Exame de imagem elimina a necessidade de procedimento invasivo para avaliar complicações hepáticas

As doenças crônicas do fígado são comuns e podem ter diversas causas, sendo as mais comuns a ingestão alcoólica, sobrepeso, obesidade, dislipidemia, infecções virais e mutações genéticas. Essas doenças geralmente não causam sintomas em fases iniciais e, por isso, muitas vezes, são diagnosticadas apenas em fases avançadas, quando já evoluíram para cirrose ou mesmo após o surgimento de um câncer no fígado. Conforme a médica radiologista, Dra. Mariana Estacia Ambros, do setor de Radiologia do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) de Passo Fundo, até pouco tempo atrás, a única forma de quantificar o grau de fibrose, que indica se há ou não problemas no fígado, era por meio da biópsia - exame invasivo no qual alguns fragmentos são retirados do fígado por meio de uma fina agulha. Recentemente, foi desenvolvido um novo exame de imagem, a Ressonância Magnética do fígado com análise multiparamétrica (RMmp), que se tornou capaz de quantificar o grau de fibrose, depósito de gordura e de ferro, sem a necessidade da biópsia.

Essa nova forma de diagnóstico representa uma grande inovação na medicina, uma vez que detecta de forma objetiva as doenças do fígado ainda em fase precoce, permitindo o início de tratamentos precisos e específicos para cada doença, evitando o desenvolvimento da cirrose. Por não ser invasivo e sem a injeção de meio de contraste, esse exame ainda traz a vantagem de poder ser repetido para monitorar respostas ao tratamento. Vale ressaltar que as doenças mais prevalentes do fígado e que podem ser detectadas de forma precoce pela Ressonância Magnética multiparamétrica (RMmp) são a Esteatose, Hemocromatose e Cirrose (Elastografia).

Uma doença cada vez mais comum

A Esteatose caracteriza-se pelo acúmulo excessivo de gordura nas células do fígado e também é conhecida por doença hepática gordurosa, gordura no fígado ou fígado gorduroso. "A esteatose hepática é uma doença cada vez mais comum, acontecendo de forma ainda mais prevalente na população da região Sul, devido ao excesso de consumo de carnes gordurosas e pouca atividade física. Essa doença pode manifestar-se também na infância e atinge de forma mais frequente as mulheres”, pontua a Dra. Mariana. A estimativa é de que 30% da população apresente a doença e aproximadamente metade dos portadores possa evoluir para formas mais graves.

Por não gerar sintomas, a grande maioria dos pacientes não sabe que tem Esteatose e essa doença pode permanecer estável por muitos anos. Se não tratada, ela pode progredir para uma inflamação aguda grave (esteatohepatite) ou determinar uma inflamação crônica que, ao longo do tempo, determinará fibrose/cirrose e até câncer de fígado, conhecido como Hepatocarcinoma.

A Esteatose Hepática pode ser causada pelo consumo excessivo de bebidas alcoólicas ou mesmo por outros fatores de risco como obesidade, sobrepeso, diabetes mellitus, dislipidemia, hipertensão arterial, bem como alguns medicamentos. A boa notícia é que essa é uma doença tratável, que pode até regredir se suas causas forem controladas. Entretanto, para isso, é de extrema importância a sua detecção precoce. O uso da Ressonância Magnética multiparamétrica nessa doença hepática crônica auxilia no diagnóstico e na quantificação de gordura hepática, no diagnóstico e na quantificação de fibrose, e também na avaliação da resposta ao tratamento. 

Hemocromatose não apresenta sintomas

Outra doença que pode ser detectada com o exame é a Hemocromatose, caracterizada pelo acúmulo excessivo de ferro no corpo, decorrente do aumento na absorção desse elemento pelo trato digestivo. “Ao longo do tempo, o ferro em excesso se acumula nos tecidos por todo o corpo, levando à sobrecarga desse elemento nas vísceras abdominais. Como consequência, pode levar à lesão hepática (cirrose, insuficiência hepática e câncer), disfunção pancreática (diabetes) e insuficiência cardíaca (cardiomiopatia e morte súbita)”, ressalta a especialista. O fígado é o principal órgão de armazenamento de ferro, o primeiro a mostrar sua sobrecarga e o único a mostrar uma relação linear entre a concentração de ferro e ferro total no corpo. “A quantificação de ferro por Ressonância Magnética é considerado o melhor exame não invasivo no diagnóstico e acompanhamento de doenças por sobrecarga de ferro. Embora não elimine totalmente a necessidade da biópsia, esse exame, muitas vezes, substitui a necessidade desse procedimento em várias etapas, reiterando que, assim como na Esteatose, a detecção precoce da Hemocromatose é de grande importância para se evitar a cirrose e o câncer do fígado”, reforça.

O que é a Cirrose?

As doenças hepáticas crônicas, independente da etiologia, levam a danos contínuos ao fígado, podendo progredir para cirrose, com suas complicações associadas. Tradicionalmente, a biópsia hepática tem sido o padrão ouro para avaliação de doenças crônicas do fígado. As técnicas de Elastografia podem demonstrar uma rigidez aumentada nas doenças crônicas do fígado que se correlacionam com a gravidade da fibrose e são úteis para a avaliação não invasiva da doença hepática, bem como monitorar o seu tratamento. A Fibrose Hepática é reversível quando a etiologia da doença hepática é descoberta em tempo hábil e tratada. A Elastografia por ressonância magnética do fígado também é útil para a detecção de fibrose hepática secundária a drogas hepatotóxicas, como o metotrexato. Ela é uma técnica estabelecida para detecção e estadiamento da fibrose hepática e é útil na avaliação da resposta ao tratamento e no acompanhamento clínico das doenças crônicas do fígado.

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