Meio Ambiente

Em extinção, papagaio do peito-roxo atinge população de 4,5 mil

Autor: Redação Diário da Manhã
Em extinção, papagaio do peito-roxo atinge população de 4,5 mil
Foto: Divulgação

Falta de área compromete procriação. Organização alerta sobre os cuidados de árvores velhas para novos ninhos

Isadora Stentzler
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“É preocupante”, anuncia o especialista em conservação ambiental, Roberto Tomasi Junior, do Projeto Charão da Associação Amigos do Meio Ambiente (AMA), sobre o censo encerrado no início do mês sobre o papagaio-de-peito-roxo. Em uma extensão de cerca de 3 mil quilômetros, rota que vai do Rio Grande do Sul ao sul da Bahia, apenas 4,5 mil aves da espécie resistem para não entrarem em extinção. “É a única população do mundo e está sofrendo sérios riscos”, aponta. O especialista foi um dos pesquisadores que participou da expedição que realizou a contagem minuciosa de uma espécie na lista vermelha da União Internacional para a Conservação da Natureza e dos Recursos Naturais (IUCN), desde 2012.

Segundo documentos da entidade, as estimativas populacionais recentes apontam preocupação quanto à espécie devido à extensa perda e fragmentação do habitat. Somado a isso, Junior cita os agravantes de comércio ilegal mais falta de conservação da flora, que interfere na procriação.

O levantamento da AMA mais recente sobre essa população, realizado no mês de maio deste ano, traz dados mais otimistas em relação ao passado da espécie devido à mudança da metodologia de pesquisa. Mesmo assim, um número perigoso que passa longe do ideal para a manutenção da vida do papagaio-de-peito-roxo.

“A partir de agosto essas aves se reúnem para reproduzir e é nesse momento que é necessário tomar o máximo cuidado para que a espécie conclua a reprodução”, destaca Junior, sobre os meios para manutenção da espécie.

“Em média, são 27 dias para o ovo eclodir e mais 60 dias para sair do ninho. E o que vemos é que a ave já tem dificuldade em encontrar um local ideal para reprodução. Quando ela encontra, ainda passa pela competição entre as outras aves. Conseguindo conquistar o espaço ela ainda tem a predação natural, questões temporais e, vencendo tudo isso, ela ainda sofre com o fator humano, que contribui para os dados agravantes que vemos”.

Áreas monitoradas

A região de Carazinho e Passo Fundo é um dos locais escolhidos por essas aves para procriação. No inverno, é comum a presença dessas populações na serra catarinense, onde se alimentam do pinhão e outros alimentos típicos ao clima que aparecem em maior gama. Após esse período e com o fim das temperaturas mais frias, a espécie se distribui para reprodução.

Devido a grande extensão em que há a presença da ave e pelo comportamento da espécie, não há grandes concentrações, se comparado com o papagaio-charão – também pesquisado por Junior –, que comumente está em bandos maiores e são mais visíveis na região. Mesmo assim ainda é possível identificar pequenos grupos.

Segundo Junior, as aves têm preferência por árvores altas com caules mais grossos. Entre elas estão a Camboatá-vermelho, Camboatá-branco, Grapia, Cedro, Angico e Guajuvira, sobretudo quando mais velhas e com cavidades nos troncos.

O que Junior tem identificado nos trabalhos de campo é que esse perfil que permite a ocupação da ave e a manutenção do ninho dentro do tronco tem diminuído, uma vez que, por estar velha e às vezes seca, é cortada para divisão em lenha.

“Então nossas ações têm se voltado à conscientização e educação das pessoas para que mantenham essas árvores e não interfiram no ciclo da ave. Mesmo que ela [árvore] esteja morta na natureza, ainda assim ela traz vida e permite vida”, destaca. Devido a esse problema que dificulta o encontro de locais para procriação, a AMA tem confeccionado caixas-ninho, implantadas no topo das árvores para ocupação da espécie. “E todos os espaços estão sendo monitorados para acompanhamento da reprodução do papagaio”, frisa Junior.

De acordo com o livro vermelho da fauna brasileira ameaçada de extinção, do Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), na sua segunda edição, publicada em 2016, a preocupação com a conservação da biodiversidade e da fauna silvestre é destacada na Lei de Proteção à Fauna (Lei nº 5197, de 03 de janeiro de 1967), que em seu artigo 1º define que “os animais de quaisquer espécies, em qualquer fase de seu desenvolvimento e que vivem naturalmente fora do cativeiro, constituindo a fauna silvestre, bem como seus ninhos, abrigos e criadouros naturais, são propriedades do Estado, sendo proibida a sua utilização, perseguição, caça ou apanha.”

Como uma ave ameaçada, Junior alerta sobre o dever de cuidar da espécie, respeitando seu espaço e permitindo que os ninhos sejam construídos.

Os fatores de ordem natural que causam perda e degradação de habitat são diversos e variam de acordo com a região do país e perfil econômico, mas quando considerado todo o território nacional os mais significativos estão relacionados a atividades agropecuárias, a expansão urbana e o comércio ilegal, de acordo com o documento do ICMBio.

“Na nossa região as aves tem procurado espaço. E isso é um bom sinal porque, por se tratar de uma ave ameaçada, ela não escolhe qualquer local. Então isso representa a qualidade das nossas áreas verdes. É preciso que isso se mantenha assim, para que os nossos filhos também tenham o privilégio de conhecer essa ave”, apela Junior.

Papagaio-de-peito-roxo

O papagaio-de-peito-roxo é uma ave que pode medir até 35 centímetros, atingindo à maturidade aos dois anos. Em cativeiro, a expectativa de vida atinge os 40 anos, mas na natureza, em ambientes favoráveis e sem interrupção do ciclo de vida, esse tempo se estende até os 70 anos. Sua alimentação consiste em brotos, frutos e sementes, com ninhos que podem ter até quatro ovos.

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