Geral

A luta por moradia à beira dos trilhos

Autor: Redação Diário da Manhã
A luta por moradia à beira dos trilhos
Foto: DM/Isadora Stentzler

Pedido de reintegração de posse da ALL coloca em xeque famílias que vivem à margem da malha ferroviária. Prefeitura mantém diálogo com concessionária para decidir futuro do espaço

Isadora Stentzler
[email protected]


Em uma pequena casa de madeira há três passos dos trilhos que cortam as sombras dos silos da Cotrijal, no bairro Oriental de Carazinho, é que João, assim batizado pela reportagem por não querer se identificar, vive com nove pessoas da sua família. O número é o mesmo período de tempo em que construiu a casa que tem dois cômodos, onde a sala se confunde com o grande quarto dos nove e a cozinha com a área de serviço. Lá de dentro se vê os cabos de luz que passam abaixo das telhas que não sabem o que é um forro e encontra-se uma família aquecida do frio de julho.

São conhecidos como beira-trilhos, por viverem à encosta da malha ferroviária que hoje está em desuso no município e que pode ser motivo de perderem a moradia por um pedido de reintegração de posse há anos acatado, mas ainda não cumprido.

“Eles não podem fazer isso com a gente”, diz com a voz embargada e lágrimas que cruzam o rosto a esposa de João, que há poucos dias sofrera um AVC e agora era cuidada pelo marido em uma cadeira de rodas. “Não chora, não precisa chorar, ela é só repórter”, acalma João a cônjuge, que diante do desabafo do marido sente-se contemplada por quem está disposto a lutar pelo seu espaço.

Ele fala de um jeito frenético, alto, colocando pra fora a agonia da iminência de uma desocupação. “Por que é que deixaram construir então? Agora é hora de mexer nisso?”, questiona, olhando para nove anos atrás, quando comprou o espaço de alguém que o ocupara e o vendera por R$ 7 mil parcelados. “Só querem mexer com os pobres. Será que vão mandar os outros que vivem perto dos trilhos saírem também?”, questiona.

João se refere à pessoa que vendera o espaço como “um invasor”, mas fala que não foi impedido em nenhum grau em construir sua casa. Na época, os trilhos não estavam cobertos pelo mato e o trem ainda era visto cruzando à cidade com suas cargas. Apesar do recorrente risco a que se é associado viver tão próximo dos trilhos, João disse que “nunca se incomodou”. Que nunca tivera problema. E que nunca vira a casa de madeira balançar.

Com a desativação da linha é que fica eufórico em saber que, mesmo diante do que acreditara ser o problema, podem ser retirados caso haja interesse da empresa na execução do pedido de reintegração de posse. “E caso aconteça? Não sei. Acho que a Prefeitura ampara nós, né?”, pontua.

Reuniões morosas

De acordo com o assessor jurídico da prefeitura, Gustavo Viapiana, e do ex-assessor jurídico, Antônio Azir – que acompanhou os primeiros debates com a concessionária –, os sete quilômetros de malha ferroviária que cortam o município têm sido pleiteados pelo Executivo para que voltem ao município.

Por ser um espaço de posse da União, Viapiana explica que é necessário que o contrato com a Rumo se encerre e que ela abra mão do território, a fim de que o município possa ter autonomia sobre ele.

A última reunião para debater esse assunto foi realizada no mês de abril, em Curitiba. Uma das sugestões, segundo Azir, é que seja retirado das ações a faixa não edificável, o que, acredita, garantiria a permanência de 70% das famílias em situação irregular – a Rumo Logística não informou à reportagem sobre o número de ações de reintegração de posse movidas no município, mas a estimativa da assessoria jurídica é de que hajam mil famílias vivendo em situação irregular.

- Há construção de mais de 50 anos em torno dos trilhos. A cidade cresceu em volta deles e era comum que fossem feitas edificações nesses espaços que são irregulares. Como hoje não temos mais o trem na cidade, nosso objetivo é que o espaço volte para o município a fim de que possa ser regulamentado”, frisou Viapiana, que junto com Azir demonstra otimismo, dizendo que é de interesse de ambas as partes “resolver a situação”.

Sentimento que brota mais forte em quem tem no meio desse debate a própria casa e o futuro da família. Gente como seu João.

Comentários

Horários de Voos

Vôo Empresa Horários Destino (s) Frequência
VCP - PFB Azul 08:45:00 Passo Fundo segunda a sábado
VCP - PFB Azul 17:40:00 Passo Fundo segundas, terças, quartas, quintas, sextas e domin
VCP - PFB Azul 23:15:00 Passo Fundo segundas, terças, quartas, quintas, sextas e domin
VCP - PFB Azul 20:35:00 Passo Fundo sábados
PFB - VCP Azul 06:00:00 Campinas - SP todos os dias
PFB - VCP Azul 10:55:00 Campinas - SP todos os dias exceto aos domingos
PFB - VCP Azul 19:55:00 Campinas - SP todos os dias exceto aos sábados
FLN - PFB Azul 16:15:00 Passo Fundo Segundas, sextas e domingos
PFB - FLN Azul 18:20:00 Florianópolis Segundas, sextas e domingos

Matriz

Curta o Diário

(54)3316-4800Passo Fundo

(54)3329-9666Carazinho

  • Passo Fundo: (54) 9905-7864

    Carazinho: (54) 9959-5027