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Brincadeira criminosa

Desafio da “Baleia Azul” tem levado jovens do mundo inteiro a prática de automutilação, e preocupado muitos pais, educadores, e profissionais da saúde

Uma brincadeira criminosa que está ganhando repercussão internacional pode por fim à vida de crianças, adolescentes e jovens. A repercussão do desafio intitulado “Baleia Azul”, que tem levado jovens do mundo inteiro a prática de automutilação, tem preocupado muitos pais, educadores, e profissionais da saúde.

Para o Neuropsicólogo, Anderson Cassol Dozza o mundo cada vez mais individualista e materialista, onde aspectos como a condição física ou o rendimento financeiro são mais importantes do que o estado de espírito e a família, deixa o jovem mais suscetível a participar destes tipos de jogos. “Pensamos numa fase do desenvolvimento humano mais conturbada, onde os hormônios estão “a flor da pele” e outros interesses tomam conta dos pensamentos dos jovens. Por isso, torna-se tão importante estarmos atentos ao mínimo de mudança nessa idade, principalmente, cabe aos pais e familiares estarem com atenção redobrada”, aponta Dozza.

No desafio da Baleia Azul, o jovem precisa completar 50 tarefas, até que a última seja tirar a própria vida. “Ele deve seguir ordens de um curador, que vai observando e orientando os adolescentes nas tarefes seguintes. Vários sinais levam a crer que quem ‘recruta’ esses jovens já tem alguma ideia do estado de humor deles, provavelmente já tem contato em sites de depressão ou grupos de autoajuda. Por isso, os pais, responsáveis, familiares e amigos, devem sempre prestar atenção em alterações súbitas de humor do adolescente, bem como apatia, isolamento social, irritabilidade, alteração da qualidade de sono e do apetite, comportamento de risco e pensamentos suicidas, que também são indicadores de que algo está errado”, esclarece o neuropsicólogo e ainda aponta que, “outros profissionais acabam destacando a questão da negligência quanto à discussão do tema, em alguns casos é banalizada e transformada em um velho clichê: ‘ele só quer chamar a atenção’. Eu concordo com isso, ele realmente está querendo chamar a atenção, ou seja, dizer que precisa de ajuda o quanto antes, que sua vida está desorganizada e sem sentido, que seus problemas chegaram a um estágio tão avançado que sozinho não conseguirá resolver. Portanto, antes que chegue nesse ponto, é importante prestarmos atenção nesse jovem que quer ‘chamar a atenção’, mas com um outro olhar, um olhar mais significativo, mais atento, mais observador”, justifica.

Dozza também argumenta que os pais devem ficar atento ao comportamento de seus filhos. “Quando estamos nos sentindo sozinhos, o mais importante é procurar a ajuda de um profissional capacitado, seja psiquiatra, psicólogo, médico, que possam orientar e ajudar a diminuir a estigmatização do suicídio. Precisamos realmente falar mais sobre isso, não pode ser mais um tabu, não pode mais ficar num canto escuro da nossa consciência, pois assim estamos apenas negando o que está acontecendo ao nosso lado todos os dias”.

Consulta psicológica orientativa

Pensando em alertar os pais e orientá-los sobre a melhor maneira de abordar o assunto com os filhos adolescentes, o Espaço Saúde do Clube Recreativo Juvenil disponibilizará horários de orientação com a psicóloga especialista em avaliação psicológica, Lucimara Gebert. Além das orientações, os pais serão alertados sobre os comportamentos que os jovens podem apresentar quando envolvidos no desafio e a partir disto, identificá-los. Os horários de conversa serão oferecidos nas quintas-feiras a partir das 14 horas e devem ser agendados na secretaria do Clube.

Investigação

A Polícia Civil do Rio está investigando o jogo que é praticado em comunidades fechadas de Facebook e Whatsapp. A delegada Fernanda Fernandes, da Delegacia de Repressão aos Crimes de Informática (DRCI), acredita que o jogo, já identificado em outros países e outros estados do Brasil, esteja sendo praticado no Rio. Ela já tem, pelo menos, quatro casos suspeitos, todos envolvendo adolescentes. “Não parece se tratar de um boato. Temos várias comunidades que estamos rastreando sobre o jogo, algumas falando diretamente o nome Baleia Azul, outras com codinomes. O jogo existe, é real”, disse a delegada.

O objetivo da investigação, segundo ela, é evitar que os jovens se suicidem, mais do que encontrar os mentores dos grupos, o que será feito no decorrer dos trabalhos. Fernanda Fernandes fez um apelo aos familiares e amigos de possíveis vítimas para procurarem a delegacia e relatarem os fatos. “O apelo para os pais é que verifiquem qualquer mudança, alteração de comportamento dos jovens e qualquer comportamento depressivo, mais introspectivo. Se têm hábitos mais noturnos e de madrugada na internet. Os pais têm que ter controle do que os filhos estão fazendo nas redes sociais. E prestar atenção se têm indícios de lesão no corpo dos filhos. Também é preciso entrar em contato com a escola. O adolescente, quando vira vítima do jogo, muda o comportamento”, disse.

Os mentores dos jogos, que surgiu na Rússia, podem ser indiciados por crimes de associação criminosa, lesão corporal, ameaça e até homicídio. Segundo relatos, os mentores ameaçam as vítimas se elas deixarem o jogo.

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