Fabio Costa Pereira

Procurador de Justiça no Estado do RS, Presidente da Associação Brasileira dos Estudos da Inteligência e Contrainteligência (ABEIC) e especialista em Inteligência Estratégica.

O que é o crime I?

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Ao longo dos anos, em minhas andanças por aí, falando, em diferentes lugares e para diferentes públicos sobre a Segurança Pública e as questões que a envolvem, percebi, em dado momento, a necessidade de demonstrar para a audiência o tamanho do problema em que todos nós estávamos (e estamos) imersos em matéria de criminalidade.

Compartilhar as minhas expectativas, medos e anseios sobre o tema, escrevendo, dando aulas ou palestrando, com o maior número de pessoas possíveis sempre encarei como missão de vida.

Pois bem, há cerca de uma década mais ou menos, em uma palestra proferida em um canto distante do país, ao perceber que os presentes estavam duvidando ou ao menos não acreditando na crueza dos números que eu estava a expor, convidei à assistência participar de uma breve enquete, informal e sem cunho científico.

A enquete era composta de três singelas perguntas, a serem respondidas pelos participantes com as mãos levantadas em caso da resposta ser afirmativa.

As três perguntas eram as seguintes:

1. Você já foi assaltado?
2. Alguém da sua família já foi assaltado?
3. Algum amigo próximo já foi assaltado?

Com a total adesão do público, o que tornou a dinâmica interessante, ao mesmo tempo em que triste, não posso me dizer surpreso com as respostas.

Para a primeira e a segunda pergunta cerca de 60 a 70% dos “pesquisados” responderam sim, enquanto que, para a terceira, como não poderia deixar de ser, 100% respondeu afirmativamente à questão.

Ao longo dos anos, após aquela enquete inicial, passei a repetir, em todos os lugares que ia palestrar, as mesmas questões, obtendo, de forma deprimente e tautológica, sempre os mesmos percentuais afirmativos nas respostas.

Por conta do comportamento da audiência que inicialmente referi, de descaso para com a realidade a ela apresentada e, em contrapartida, a absurda vitimização a que submetida por parte da criminalidade, cheguei à conclusão de que o crime é algo presente no nosso dia a dia, que afeta por demais a todos nós e aos que nos são caros e, de tanto a ele estarmos expostos, deixamos de perceber a sua presença.

Nas próximas semanas continuarei abordado o mesmo tema tentando dar um outro olhar sobre o conceito de crime.

E que Deus tenha piedade de nós!

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