A aposta na diversificação

Pequenos produtores rurais, com apoio da Emater-RS, diversificam produção e garantem lucro

Foto: Divulgação

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A diversificação de culturas é o grande ponto de partida para negócios lucrativos dentro das pequenas propriedades rurais.

Em regiões como a Noroeste do Rio Grande do Sul, municípios conseguem manter equilíbrio populacional em números bem próximos, tanto no interior como na cidade, tendo como pilar a diversificação de renda no meio rural.

O mecanismo reduz os índices do êxodo rural, mantendo, principalmente, os jovens na sucessão das propriedades, mesmo sendo elas de pequeno porte.

O agrônomo da Emater-RS Leandro Nicolacópulos Soares garante que áreas de até no máximo 30 hectares podem render bons lucros aos seus proprietários.

“Não é na produção exclusiva de grãos que produtores rurais de Rondinha, por exemplo, estão ganhando dinheiro. É nos investimentos que diversificam aquilo que transformam em moeda”, disse o agrônomo, que trabalha na Emater-RS no município de Rondinha.

Dos seus aproximadamente 5.500 moradores, perto da metade está no interior. De acordo com o agrônomo, a monocultura, como a produção de grãos, dentro da pequena propriedade não é uma boa alternativa econômica para o agricultor.

“No município de Rondinha existem exemplos de pequenos produtores, donos de 15 a 20 hectares, que deixaram de ter acesso ao Pronaf por ultrapassarem o limite máximo anual de faturamento financeiro dentro da sua área rural. Temos neste caso pequenos agricultores movimentando acima dos R$ 415 mil por ano e com grande margem de lucro”, salienta Leandro.

Segundo ele, no município, donos de terras que somam no máximo 30 hectares vivem com estabilidade econômica dando aos seus filhos garantias de que podem seguir na atividade, fazendo a sucessão da propriedade que produz o sustento familiar em primeiro lugar e depois a comercialização do excedente da produção.

“Aqui, dentro de uma mesma propriedade rural, existe produção de leite, soja, milho, melão, tomate, uvas, melancia de campo e, o mais importante, agroindústrias que transformam”, revela o profissional.

Ainda dentro da diversificação, ele cita a piscicultura, que ganha espaço e se torna mais uma atividade econômica no meio rural, em um município que tem dois ou três produtores com áreas acima dos 200 hectares.

Conforme Soares, em pequenos espaços de produção agrícola é possível rentabilidade bem superior em comparação com resultados da semeadura de soja.

Alternativa

“A agricultura familiar para sobreviver deve buscar alternativas visando produção de alimentos para subsistência e também alternativas para renda, pois sem renda adequada ninguém fica no interior, principalmente o jovem. A Emater-RS de Rondinha, a exemplo de outras, tem buscado passar isso para produtores, auxiliando na geração de renda e com grande foco na sucessão familiar, pois se o jovem não ficar na área rural complica a sequência da produção de alimentos”, avalia Soares.

O município de Rondinha é basicamente agrícola, com foco em algumas atividades como bovino de leite, suinocultura e grãos, também se destaca em outros exemplos de produção como hortifruti (laranja, nozes, pêssegos, hortaliças em geral), piscicultura e  apicultura.

“Para ser mais direto, cito o exemplo da família Cumerlatto, onde a área é de aproximadamente 15 hectares de área própria e outros 40 arrendados para o plantio de grãos (soja, milho e trigo).  A família ainda trabalha com bovino de leite, produção de leite a base de pasto, com bom resultado. Como a família tem dois filhos (Ana Paula Cumerlatto e Alexandre Cumerlatto) e ambos querem permanecer na propriedade rural, buscaram alternativas para a geração de renda”, cita o agrônomo.

Exemplo de diversificação

Conforme o profissional, no ano passado os Cumerlatto iniciaram com estufa pequena plantando tomate e morango. Gostaram da atividade e investiram forte na horticultura, sendo que construíram uma estufa para tomate, uma para morango e uma para produção de melão.

Soares explica que todos os produtos são cultivados nas estufas, com fertirrigação (uso de vasos e adubação controlada direto no substrato que vai no vaso e não na terra).

Todos os itens são produzidos com uso apenas de produtos com carência zero, ou seja, produtos que podem ser consumidos mesmo com aplicação dos defensivos para controle de doenças e pragas, pois são produtos biológicos ou que não tem problema de toxidade.

“Isso se realiza pelo fato de fazerem o manejo adequado, dentro da estufa com controle de umidade nas folhas e manejo preventivo de doenças e pragas. A família também trabalhou neste ano com plantio de melancia, mas não em estufas, a campo. Esta primeira safra está quase no ponto de colheita e terá bom resultado econômico em área pequena”, enfatiza o agrônomo.

A família esta iniciando melhoria nos tanques de água para iniciar a produção de peixes para consumo e venda do excedente. Outro investimento que fará na diversificação é a apicultura. As primeiras caixas de abelha já foram colocadas na propriedade.

“Vejam quantas atividades uma única família pode desenvolver em sua propriedade rural, gerando alimentos, renda a garantindo a permanência do homem do campo no meio rural”, conclui Soares.

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