Após incêndio, família conta com solidariedade para recomeçar

Casa na Rua Marques do Pombal teve perde total no sábado. Causas ainda não foram apontadas

Foto: Isadora Stentzler | Diário

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A professora Mônica Siomara Azambuja Pellizzari, de 49 anos, arrumou-se e deixou a casa na Rua Marques do Pombal pouco depois do meio-dia de sábado (1°) com o filho Miguel. Saiu antes do marido, o caminhoneiro Ari João Pellizzari, de 53 anos, o encontrando quinze minutos depois no almoço com os compadres, próximo ao Clube Harmonia, em Carazinho. Conhecido pelo seu jeito cauteloso, Ari conferiu a casa toda. Despediu-se dos cães Meg, de sete anos, e Theo, de dois, que ficavam separados dos outros quatro, por sempre estarem dentro de casa. Os seis cães ainda apelidavam a casa de “a casa dos cachorros”, o que era um nome levado com carinho pela família apaixonada por animais.

Às 12h20min, Ari, Mônica e Miguel já estavam juntos. O dia de sol só não permaneceu agradável quando o telefone da professora tocou às 15h, anunciando uma tragédia.

A casa de nove cômodos, por um motivo desconhecido, pegava fogo. Ari saiu às pressas, chegando quinze minutos após a ligação no local. No caminho, esperava que o fogo se limitasse a algo nos fundos da casa, mas quando chegou na Rua Marques do Pombal teve certeza que não só perdera a residência e os móveis, como também os dois animais que dentro dela estavam.

Dois dias depois do incêndio, nem Mônica e nem Ari conseguem falar muito bem sobre o que aconteceu. Os olhos umedecem, as palavras se perdem e há muito silêncio entre uma frase e outra. Como todos, nunca pensaram em ver uma história ser levada pelo fogo e se ver sem nada do que construíram.

– Eu morei toda a vida ali – desabafa Mônica. “E não sobrou nada. Nenhuma lembrança que tínhamos dos filhos pequenos. O fogo levou tudo.”

A única coisa que restou foram as roupas que a família usava quando saiu de casa. Peças já substituídas por outras doadas, as quais vestiam na segunda-feira (3), quando conversavam com a reportagem.
Parece até que com o fogo foram partes dos seus sonhos. Como da reforma da residência e do Natal, em Minas Gerais.

SOLIDARIEDADE

Diante da dor da perda, Mônica só consegue sorrir por um motivo. Ela tira forças da união da família – e do apoio dos seus dois filhos que moram em outras cidades – e das ações que surgiram após o incêndio para ajudar a família.

O primeiro andar da casa onde vive a mãe de Ari – onde estão provisoriamente – já tem geladeira, roupas e outros utensílios que chegam por doação. Outras campanhas já foram criadas – até sem o pedido da família. E diante de todas, Ari agradece. “Nós estamos muito surpresos. Existem muitas pessoas mobilizadas nesse momento tão triste. Pessoas que nem conhecemos. Então estamos aceitando tudo o que nos estão dando”, conta.

O vendedor Yann Leff, de 22 anos, amigo da família, criou uma “vakinha” online com meta de arrecadação fixada em R$ 50 mil para fevereiro. Até segunda-feira (3) à tarde, a vakinha já havia arrecadado R$ 1.085,00 e Leff disse que embora conheça a família desde criança, estende o convite para todos ajudarem. “Eu fiz a ‘vakinha’ me colocando no lugar da família, conheço eles desde criança, mas isso é algo que não é necessário colocar na ‘história’. Só estou ajudando como todos estão, nem que seja compartilhando”, destaca.

Além da vakinha online, a Universidade Federal de Santa Maria (UFSM), campus de Palmeira das Missões, onde Ariel Pelizarri (filho do casal) cursa Nutrição, também tem divulgado a ação solidária em prol da família.

A Escola Municipal de Ensino Fundamental (Emef) Pedro Pasqualotto, de Carazinho, onde Mônica trabalha como professora, emitiu uma nota pedindo doações para ajudar na reconstrução da residência da família. Dúvidas sobre as doações podem ser tiradas nos telefones (54) 3331-2235 ou (54) 9-9139-1816. Segundo a família, eles estão aceitando todas as doações e após se reconstruírem irão passar adiante o excedente de tudo. “Como nos ajudaram, queremos ajudar também”, frisou Mônica.

Causas do incêndio ainda não foram apontadas (Foto: Sereno Azevedo | Diário)

IMPRUDÊNCIA QUASE FAZ VÍTIMA

O incêndio de grandes proporções começou por volta das 15h do sábado e levou mais de três horas para ser completamente contido. Quando a equipe do Corpo de Bombeiros chegou ao local, o fogo já havia consumido boa parte da residência.

Segundo o comandante do Pelotão do Corpo de Bombeiros de Carazinho, o sargento Zineu Muhl, três agentes foram ao local com dois carros. Fecharam a rua, colocaram sinalização, mas um veículo furou o bloqueio, passando por cima de uma das mangueiras. “Ao passar por cima da mangueira ele causou uma pressão que desequilibrou o militar. Foi como se estivesse puxando uma corda e alguém largasse a outra ponta. Mas ele não ficou ferido”, apontou Zineu.

O sargento disse que populares que estavam no local anotaram a placa do veículo, que fugiu.

Zineu destaca que ações como essa podem aumentar a gravidade da ação dos bombeiros ou outros agentes de segurança. A “curiosidade”, cita, pode ser imprudente e alerta para a distância necessária que a população deve ter de um fato em que haja ação dos agentes.

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