Assassinatos caem 65% em dois anos

Diminuição é creditada à forte repressão policial, elucidação dos crimes, indiciamentos e prisões

Delegacia de Polícia Civil de Carazinho registrou nove homicídios e dois latrocínios em 2018, número considerado dentro da média histórica no município (Foto: Arquivo | Diário)

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Em dois anos, o número de homicídios em Carazinho reduziu 65%. Em 2016, foram registrados 31 casos na cidade, ante nove ocorridos no ano passado. A diminuição, conforme a delegada de Polícia de Carazinho, Rita Felber De Carli, é atribuída especialmente à repressão policial.

– Na minha opinião, essa queda no indicador de homicídios acontece em função da forte repressão, basicamente da Polícia Civil, mas também da Brigada Militar. O grande número de homicídios elucidados e remetidos ao Poder Judiciário, com indiciamento e muitos pedidos de prisão preventiva efetuados, também foram fatores determinantes para essa redução nos índices – analisa.

Ao se comparar os últimos 13 anos (entre 2005 a 2018), o ano de 2016 foi o mais violento em Carazinho. De cordo com a autoridade policial, o alto índice de homicídios naquele ano se deve, muito em função pela atuação de fações criminosas e a criminalidade envolvendo o tráfico de drogas.

– Nos anos de 2015 e 2016 tivemos picos de criminalidade, que além dos homicídios, também registrou altos índices nos roubos. Nesse sentido, o tráfico de drogas e a organização de facções criminosas que já vinham atuando, mas se organizaram mais, contribuíram para esse aumento da violência – revela a delegada.

Conforme a autoridade policial, o número de homicídios registrados em 2016 ocorreu por conta da movimentação das organizações criminosas vinculadas ao tráfico de drogas. “Tivemos alguns grupos que atuavam com o tráfico que cometeram muitos homicídios na cidade naquele ano. Só diminuímos a quantidade de ocorrências graças à elucidação dos casos e prisão dos envolvidos, dos quais, muitos estão detidos até hoje”, reforça Rita.

A delegada também faz um comparativo entre os índices de homicídios de Carazinho com a média estadual. Conforme ela, o aumento da criminalidade no município e no Rio Grande do Sul iniciaram, ambos, em 2015. Naquele ano, Carazinho registrou 23 homicídios na cidade, um acréscimo de mais de 180% comparado com os casos de 2014, que totalizaram oito. Já de 2015 para 2016, um novo aumento de 35% foi registrado, com os registros passando de 23 para 31.

Redução na violência começou em 2017

De acordo com dados registrados anualmente pelo Diário, a redução na violência em Carazinho começou em 2017, ano em que 19 homicídios foram atendidos pela Polícia Civil da cidade. No comparativo com 2016, a redução foi de 39%. Já de 2017 para 2018, a queda no número de homicídios foi ainda maior, passando de 19 para 11 casos, quantidade considerada dentro da média histórica desse tipo de crime no município, que é de pouco mais de 13 casos por ano.

Na avaliação da Delegada de Polícia de Carazinho, assim como ocorreu em nível estadual, na cidade o trabalho conjunto entre os órgãos de segurança foi o principal motivo para essa redução dos números. Rita cita, por exemplo, o forte combate ao tráfico de drogas, o grande índice de elucidação dos casos de morte – que em 2018 chegou a 90% – e o uso de modernas técnicas de investigação e inteligência policial como ações que também auxiliaram na diminuição da criminalidade. “Foram diversos os fatores que acabaram contribuindo para que acontecesse essa redução nos nossos números, em especial nos crimes contra a vida humana”, resume a profissional.

Elucidação em 2018 chega a 90%

Conforme Rita, dos 11 assassinatos registrados em 2018 em Carazinho (incluindo dois latrocínios – roubo seguido de morte), dez já foram elucidados e os inquéritos já remetidos ao Poder Judiciário. “O único que ainda estamos em processo de investigação, mas já com suspeitos apurados, foi um caso ocorrido no dia 28 de março, nas imediações do bairro São Lucas, tendo como vítima Luis Alberto Antunes. Inclusive, se alguém tiver alguma informação sobre esse fato ou souber de algo que possa nos auxiliar na conclusão desse homicídio pode passar os detalhes à Polícia Civil. A pessoa pode requerer anonimato, se preferir”, detalha a delegada.

Em relação a tentativas de homicídio, a quantidade de elucidação dos casos também é alta. Dos 18 casos registrados em 2018, 12 já foram remetidos ao Poder Judiciário. Os demais seguem sendo investigados, alguns com apuração mais avançada do que outros. Ao todo, 23 pessoas foram alvo de tentativas de homicídio no ano passado, conforme a delegada carazinhense.

Mortes violentas registradas em 2018 em Carazinho

13 de janeiro – Os trilheiros Alexandre Cristiano Soder, de 28 anos, e Carlos Henrique Hoppen, de 25 anos, moradores de Não-Me-Toque, foram mortos a tiros no Parque da Cidade. O caso foi enquadrado como latrocínio e remetido ao Poder Judiciário.

27 de fevereiro – Edson Luiz Alves, de 50 anos, morto a tiros na Rua Vera Cruz, na região conhecida como Beco da Iracema, na divisa entre os bairros Princesa e Central. Caso já remetido ao Poder Judiciário.

28 de março – Luis Alberto Antunes, de 22 anos, morto a tiros na Rua Antônio José Barlette, no bairro Santo Antônio. Caso ainda é investigado pela Polícia Civil. Há suspeitos.

24 de abril – André Eliezer de Oliveira Bueno, de 46 anos, foi morto a tiros na Rua Castro Alves, no bairro Santo Antônio. Caso já remetido ao Poder Judiciário.

21 de junho – Clara Rodrigues, de 16 anos, foi morta a facadas dentro de sua residência Rua Humberto Lampert, no bairro Vila Rica. Caso já remetido ao Poder Judiciário.

26 de setembro – Lana Tarsila dos Santos, de 27 anos, foi morta com um tiro na cabeça dentro de sua residência, na Rua Caçapava, condomínio Floresta II, no bairro Floresta. Caso já remetido ao Poder Judiciário.

25 de outubro – João Maria de Oliveira, de 28 anos, foi morto com um tiro na Avenida Pátria, na região do bairro Floresta. Ele era detento do regime semiaberto. Caso já remetido ao Poder Judiciário.

9 de novembro – Luciano da Silva, de 43 anos, foi morto a facadas na Rua Alfredo Gobbi de Oliveira, no bairro Ouro Preto. Caso já remetido ao Poder Judiciário.

18 de novembro – Adão Fernandes Lima, de 68 anos, e Elói Fernandes Lima, de 40 anos, (pai e filho) foram mortos a tiros na Rua Vera Cruz, no bairro Princesa. Caso já remetido ao Poder Judiciário.

Histórico de mortes violentas em Carazinho

Ano

Número de casos

2005

10

2006

10

2007

9

2008

10

2009

5

2010

15

2011

8

2012

17

2013

6

2014

8

2015

23

2016

31

2017

19

2018

11

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