Com inflação de 3,75%, índice fecha 2018 dentro da meta

Na avaliação geral, economista acredita que por conta do país ainda estar em baixo crescimento, inflação se manteve no esperado

Foto: Ana Cláudia Capellari/Diário

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Divulgado na manhã de ontem (11), pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), a inflação oficial do país fechou o ano de 2018 em 3,75%.  Medida pelo índice Nacional de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), a inflação ficou dentro da meta estipulada pelo Banco Central (BC) para o ano que passou, que variava de 3% a 6%.

No mês de dezembro, o IPCA alcançou inflação de 0,15%, uma taxa maior que a de novembro. Comparando com 2017, o indicador registrou, somente em dezembro, inflação de 0,44%.

Para a economista e professora da Universidade de Passo Fundo, Cleide Moretto, o resultado é positivo e havia até certa expectativa de que a inflação pudesse ser menor do que a divulgada.

Economista e professora universitária, Cleide Moretto

“Alguns economistas já tinha até colocado em 3,69%, que parece pouca diferença, mas que tem um impacto significativo. O que se comenta é que quando a inflação fica mais estabilizada, ou seja, os preços estão mais estáveis, daria para elevar a taxa de juros. Um dos maiores remédios que temos para tentar manter a inflação de demanda baixa é aumentar a taxa de juros, fazer com que as pessoas ao invés de comprar, invistam ou apliquem o seu dinheiro em ativos financeiros”, explica.

Para 2019, a economista ressalta que se o governo mantiver a taxa de juros mais baixa, pode-se retomar o investimento produtivo e não apenas o especulativo, e que seja possível uma geração maior de empregos e por consequência aumento de renda.

“A economia está em uma situação frágil, que é preciso cautela, do ponto de vista do consumidor, uma inflação baixa sinaliza que o setor produtivo ainda está com bastante capacidade ociosa em termos do que ele poderia atingir, do que poderia produzir”.

Na visão de Moretto, a inflação brasileira permaneceu dentro da meta do BC, pois o país ainda não saiu da grave recessão, que pelo menos, desde 2015 enfrenta.

“O Brasil ainda está em período de baixo crescimento, de baixo aquecimento da economia. O que é preciso rever isso, inclusive existe algumas correntes que acham que ter um pouco de inflação é bom, um aumento nos preços incentivaria mais o setor produtivo, o ideal seria que nós não tenhamos inflação, mas o Brasil é muito mal acostumado, já tivemos uma inflação de 80% ao mês”, comenta.

Caso não tivesse ocorrido a greve dos caminhoneiros em maio de 2018, a inflação poderia estar mais baixa. Contudo, Cleide salienta que o impacto da greve foi teve um efeito nos meses que se seguirem e que foi diluído pelas empresas, que tiveram que absorver os custos com tabela de frete e combustível para continuarem concorrendo no mercado.

ALIMENTAÇÃO

O item alimentação, destaca a economista, já esteve mais elevado em comparação com o ano de 2017. Como há produtos sazonais, que ‘estão na safra ou não estão na safra’, existe uma variação no preço que se é encontrado nas prateleiras dos mercados.  Um desses produtos é o feijão, que teve uma queda significativa de mais de 50% no seu preço.

“De outra parte, tivemos nos últimos meses, de entre safra, um aumento significativo do preço do tomate, agora começamos a safra ele vai baixar de novo, então pegamos também essas oscilações de produtos que estão em abundância e de produtos que estão em falta, e aí depende também do que é consumido e da faixa de renda do consumidor”.

MEDIDAS ECONÔMICAS DOS GOVERNOS

A economia no Brasil tem ligação direta com os rumos políticos e eleitorais. Com o ministro Paulo Guedes chefiando a economia federal, a expectativa é de que o governo adote medidas de austeridade fiscal, para conter o endividamento público.

“Existe uma tendência de se fazer reformas e são reformas que afetam os consumidores e a população em geral, e eu vejo como uma continuidade de um período ainda de baixo crescimento”. E acrescenta: “toda vez que se aplica uma política fiscal, que é restritiva nesse caso de tentar reduzir gastos do governo, ela também impacta negativamente no nível de atividade econômica, então ‘nós’ não vamos sentir rapidamente esse impacto da diminuição do endividamento no dia a dia das pessoas, vai exigir um tempo maior para a retomada do crescimento do setor produtivo, privado”, finaliza.

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