Conta de luz não terá cobrança de taxa extra em dezembro

Em Carazinho, consumidores não estão tão atentos ao sistema tarifário de bandeiras, que passou a vigorar ainda em 2015

Fotos: Anderson Favero | Diário

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A fatura da energia elétrica em dezembro promete trazer um alívio para o bolso dos consumidores. Desde o último sábado (1o), passou a vigorar a bandeira tarifária verde, o que significa que não haverá cobrança extra neste mês. O anúncio foi feito pela Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel) e deve impactar positivamente no dia a dia dos brasileiros.

É o caso da doceira Damaris de Campos que, juntamente com o filho e o marido, consome o equivalente a R$ 200,00 de energia elétrica todo o mês. À fatura da família, que mora no bairro Santa Terezinha, ainda se somam os gastos com eletricidade na confeitaria administrada por Damaris, a Doceria e Lanches Puf, localizada na região central da cidade e que, mensalmente, consome R$ 900,00.

– Não temos o hábito de verificar qual a bandeira tarifária que está sendo cobrada em cada mês. Entretanto, seja em casa ou na doceria, sempre temos a preocupação de economizar, pois consideramos os valores muito elevados – pontua a doceira.

Na Doceria e Lanches Puf, a doceira Damaris de Campos já chegou a pagar mais de R$ 800,00 mensais na fatura da energia elétrica: “não prestamos muita atenção ao sistema de bandeiras, mas economizamos em tudo o que é possível”

Segundo ela, entre as medidas adotadas para diminuir o consumo, em casa, estão principalmente os banhos rápidos. Já na doceria, boa parte da iluminação dos freezers é desligada no período da noite. Outro vilão, nesse contexto, é o ar-condicionado, que também influencia nos gastos da empresária. “Ao contrário do que se pensa, nossas faturas mais elevadas ocorrem no verão, quando o país adota o horário diferenciado para diminuir o consumo. O calor faz com que a gente use muito o ar-condicionado. Não tem nem como comparar com o inverno”, analisa.

Fatura nas alturas

Outra carazinhense que não costuma prestar atenção nas bandeiras tarifárias anunciadas pela Aneel, mas que está descontente com o valor cobrado pela Eletrocar, empresa responsável pelo abastecimento no município, é a empresária Charlene de Morais Trindade. Em entrevista ao Grupo Diário na manhã desta segunda-feira (3), ela contou que na residência em que vive com o marido e o filho de três anos, o consumo chega a R$ 400,00 todo mês.

– Somos em apenas três pessoas e permanecemos praticamente todo o dia fora. Não temos ar-condicionado e, diariamente, evitamos ao máximo o consumo desnecessário. No entanto, mês a mês, recebemos uma fatura que nos parece não condizente com esse gasto. Freezer, televisão, máquina de lavar e geladeira não podem ocasionar essa fatura de meio salário mínimo todo mês – conta.

A empresária cita, ainda, que mantém um apartamento no município vizinho de Passo Fundo e, na comparação entre os gastos dos dois imóveis, ela acredita que o valor cobrado pela Eletrocar está acima das demais companhias do estado. “Converso muito com amigos e pessoas que moram em outras cidades e nenhum deles tem um gasto tão alto quanto nós que moramos em Carazinho. Por conta disso, acredito que as bandeiras tarifárias acabam não tendo um impacto real em nossa dia a dia”, avalia.

Debruçada sobre a fatura do mês de novembro, a empresária Charlene Trindade busca entender melhor o sistema de cobrança: “comparamos nossa fatura com a de amigos de outras cidades. Aqui em Carazinho o valor cobrado é sempre mais elevado”, pontua

A aposentada Ilse Lurdes Colli, de 72 anos, assim como Damaris e Charlene, não está atenta às bandeiras da Aneel, porém, economizar já se tornou um hábito em seu cotidiano. “Moro sozinha e como todas as pessoas mantenho uma rotina de maneira a ter o menor gasto possível. Então, acompanho apenas uma novela durante a semana e volto a ligar a TV somente aos domingos, pois penso que o televisor consome bastante energia. Lâmpadas também não permanecem acesas se não houver a necessidade. Mesmo que existam essas bandeiras diferenciadas todo mês, o importante é nunca exagerar no consumo”, relata Ilse, cuja fatura não ultrapassa mais de R$ 35,00 mensais.

Chuva e redução

De acordo com a Aneel, que regulariza os preços da energia elétrica no país, a principal motivação para o emprego da bandeira verde em dezembro tem relação com a chuva. Em nota publicada ainda na sexta-feira (30), a companhia cita que “apesar de os reservatórios ainda apresentarem níveis reduzidos, a expectativa é de que a estação chuvosa continue promovendo elevação do nível de produção de energia pelas usinas hidrelétricas e a recuperação do fator de risco hidrológico (GSF), fatores que impulsionam a tendência de queda no Preço de Liquidação de Diferenças (PLD).
O GSF e o PLD são as duas variáveis que determinam a cor da bandeira a ser acionada. Entretanto, mesmo com a bandeira verde, a companhia recomenda à população manter o uso consciente e o combate ao desperdício.

De forma mais didática, o gerente comercial da Eletrocar, Fernando Vanin, explica que a bandeira verde significa que não haverá a cobrança de nenhuma taxa aos consumidores além das normais. “De 1o a 31 de dezembro, todo o consumo no país se dará com base nessa bandeira, então, na fatura correspondente ao período, emitida em janeiro, os consumidores terão uma fatura com valor reduzido”, cita. Para o mês de janeiro, no entanto, ainda não é possível afirmar qual a bandeira que deve vigorar, já que a decisão da Aneel deverá ser tomada somente nos últimos dias do mês de dezembro.

– O sistema tarifário aumenta o custo em momentos de escassez de energia, que são ocasionados quando temos pouca incidência de chuvas o que, por sua vez, diminui o nível dos reservatórios das usinas hidrelétricas. Nessas situações, para compensar a diminuição, o governo manda acionar usinas termelétricas, que são mais caras. Aí, então, são empregadas as bandeiras amarela, vermelha 1 (rosa) ou vermelha 2 – explica.

Segundo ele, mesmo nos meses em que a bandeira vermelha é acionada, a exemplo das três entrevistadas dessa reportagem, a prática de consumo entre os carazinhenses não é alterada. “Os consumidores ainda não entenderam qual é o real objetivo desse sistema de bandeiras. Com base em nossas análises, posso dizer que esse instrumento de redução não influencia em nada nos hábitos das pessoas. O que ainda causa algum impacto são os reajustes tarifários”, diz Vanin.

Nesse contexto, a tarifa por bandeiras, que passou a vigorar ainda em 2015, também é importante para explicar como está o sistema de geração elétrica em todo o país e serve de base para outros estudos na área.

Histórico de 2018

Neste ano, de janeiro a abril, vigorou no país a bandeira verde. Em maio, a Aneel acionou a bandeira amarela, com cobrança adicional de R$ 1,00 a cada 100 kWh. Na metade do ano, em junho, a taxa extra subiu para R$ 5,00 a cada 100 kWh com o acionamento da bandeira vermelha 2, que foi mantida até outubro. Em novembro, a bandeira voltou a ser amarela.

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