Contas sazonais exigirão planejamento financeiro nesta temporada

Com diversos boletos batendo à porta nos primeiros meses de 2019, brasileiros que não organizarem seus rendimentos poderão enfrentar muita dor de cabeça. Especialistas dão dicas para manter uma vida financeira saudável

Foto: Anderson Favero | Diário

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O início de 2019, a exemplo de outros anos, não será fácil para o brasileiro. Às contas mensais, nesta temporada, devem se somar o pagamento dos Impostos Predial e Territorial Urbano (IPTU) e sobre Propriedade de Veículos Automotores (IPVA) e também a compra do material escolar. Nesse contexto, serão poucos os que darão conta de todos esses valores sem se preocupar, afinal, é isso que aponta uma pesquisa realizada pela Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) e pelo Serviço de Proteção ao Crédito (SPC Brasil), que constatou que apenas 9% dos brasileiros terão condições de pagar as despesas sazonais do início do ano com o próprio rendimento.

O estudo, que entrevistou 804 pessoas de todas as classes sociais e regiões do país, revela que a falta de planejamento financeiro, mais uma vez, trará um impacto negativo às famílias brasileiras. Com isso, volta à discussão a importância de gerenciar boletos e rendimentos, evitando dores de cabeça desnecessárias. Nesse contexto, na visão do economista e diretor da Ulbra Carazinho, Gilmar Maroso, dois vieses principais podem explicar a dificuldade que os brasileiros têm em adotar um planejamento financeiro saudável.

– Dois vetores incidem sobre essa decisão. O primeiro deles é a questão cultural. Somos uma nação que deixa muito a desejar quando o assunto é educação financeira. Um exemplo disso é que estamos entre os povos mais endividados e pagamos a segunda maior taxa de juros do mundo, tanto no cheque especial quanto no cartão de crédito. O segundo fator tem relação com nosso baixo poder aquisitivo, o qual não permite a 80% da população suprir suas necessidades mais prementes do dia a dia, o que eu chamo de demandas não supridas. Tudo isso dificulta a cultura de poupança e de alocar recursos em investimentos para médio e longo prazo – explica.

Com as contas em dia

Aos que desejam organizar seus orçamentos nessa temporada e não sabem por onde começar, as dicas de organização do professor Gilmar Maroso incluem ter uma visão mais ampla do futuro e tomar decisões a partir daí. “Minha primeira dica é ter objetivos de médio e longo prazo e organizar as finanças em função disso. Outro aspecto importante é dedicar-se aos estudos através da leitura de livros que tratem de questões ligadas às finanças comportamentais”, sugere. Nesse sentido, o economista vai ainda mais longe e faz o alerta:

– O maior desafio, no entanto, é conseguir se organizar de tal maneira que até mesmo a aposentadoria seja algo tranquilo. Pois chegar à terceira idade sem estresse financeiro reflete em maior a qualidade de vida. Penso que só por essa questão já seja válido começar a entender e estudar finanças pessoais – enfatiza.

Ter objetivos de médio e longo prazo e organizar as finanças em função disso é o primeiro passo para manter as contas em dia, na visão do economista e diretor da Ulbra Gilmar Maroso

Aos que não possuem rendimentos mensais elevados, o planejamento financeiro também é viável. “Desde que as pessoas façam um esforço muito grande, que tenham objetivos e ou propósitos muito claros, daí todo esse esforço financeiro funciona como um estímulo, uma compensação. É fato que pessoas com rendimentos menores precisam ser ainda mais disciplinadas, levando uma vida um tanto espartana, sem muitos gastos desnecessários e modismos”, acrescenta Maroso.

Aos que conseguem se sobressair e manter a relação boletos e rendimentos em harmonia, os resultados trazem alívio. “As pessoas que possuem planejamento financeiro são aquelas que conseguem evitar o estresse financeiro causado pelas dívidas e boletos atrasados. Outro aspecto positivo é que essa parcela da população consegue ter uma poupança, que nada mais é do que uma segurança financeira para casos de desemprego e períodos da vida sem remuneração – observa o economista.

 

Prazer pelas compras x desequilíbrio emocional

Em termos clínicos, o estresse financeiro a que se refere o economista Gilmar Maroso, na visão do psicólogo e coach Jonson Custodio, pode ser entendido como um desequilíbrio emocional, estado psicológico intensificado quando o indivíduo perde o controle sobre suas contas.

– Uma pesquisa norte-americana constatou que 96% das pessoas compram para se sentirem bem, ou seja, as emoções podem levar a comprarem mais, sendo que alguns, ao se sentirem deprimidos ou aflitos, terão suas capacidades de autocontrole diminuídas. Tal fato leva, consequentemente, ao excesso de compras e endividamento. Isso pode ocasionar estresse, insônia, ansiedade, culpa, depressão e até impactos físicos, como hipertensão, alteração do colesterol, favorecimento do tabagismo, problemas gástricos, obesidade e alterações na imunidade. Em casos extremos, a pessoa pode até pensar em tirar a própria vida, afetando suas relações familiares e sociais – relata.

Para o psicólogo e coach Jonson Custodio o estresse causado pela falta de organização financeira pode ocasionar problemas como insônia, ansiedade e impactos físicos como hipertensão e alteração na imunidade

Diante disso, o psicólogo aponta que o ideal é incentivar, desde cedo, um consumo consciente entre as crianças. “Desde os anos iniciais, a criança deve ser incentivada a valorizar o dinheiro. Isso pode ocorrer através do gerenciamento da própria mesada. Na fase adulta, existem casais que, quando se organizam financeiramente, têm uma vida ainda mais abundante do que quando estavam solteiros. A velhice é outra questão que, mais dia menos dia, baterá À nossa porta. Essa fase da vida também merece uma atenção especial desde já”, conclui Custodio.

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