Do salame artesanal à construção de uma agroindústria

Ao constatar que não haviam salames produzidos sem conservantes no mercado de frios, o empresário Rodrigo Zanetti decidiu fazer sua própria receita. Hoje, a KF Embutidos, mantida em sociedade com o amigo André Damiane, gera sete empregos e já busca posição no cenário estadual

Foto: Anderson Favero | Diário

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Há 10 anos, o empresário carazinhense Rodrigo Zanetti, de maneira artesanal e sem grandes expectativas, iniciava um próspero negócio de embutidos no município.

“Lembro que há muito tempo eu tentava encontrar no mercado opções de salame elaboradas sem o uso de conservantes e feito de maneira mais natural, mas nenhum estabelecimento vendia produtos assim”, recorda Rodrigo. Foi a partir daí que, em 2008, ele decidiu fazer o seu próprio salame. “Inicialmente, fazíamos o salame só para o consumo da família, até que alguns amigos começaram a mostrar interesse e, de repente, estávamos com vários clientes”, explica.

Com uma receita de salame única e diferenciada, não demorou muito para que o produto caísse no gosto dos carazinhenses.

“Identificamos que havia, de fato, uma demanda muito grande em Carazinho pelo produto mais natural. A partir daí, decidimos investir nesse segmento”, conta.

O empreendimento cresceu tanto que, há dois anos, Rodrigo decidiu que era hora de alçar voos mais altos e fundou a agroindústria familiar KF Embutidos, localizada no bairro Princesa.

Hoje, juntamente com o sócio André Damiane, além de seu carro-chefe, o salame, o empresário também fabrica linguiça suína feita 100% de pernil, linguiça de frango, copa e a linguiça campeira, seu mais recente lançamento. Entre seus principais compradores, está uma das maiores redes supermercadistas da região, padarias, fruteiras e outros supermercados.

O empreendimento, que já emprega sete funcionários, foi a primeira agroindústria familiar estabelecida no município. De lá pra cá, outras três foram constituídas. Todas com o apoio do escritório municipal da Emater/Ascar-RS.

“Quando decidimos fundar nossa agroindústria, fomos em busca de apoio. A Emater foi a nossa principal parceira, sem ela não teríamos viabilizado nosso projeto”, explica Rodrigo.

Segundo ele, o investimento inicial para colocar a agroindústria em funcionamento foi acima de R$ 200 mil.

“Nós já tínhamos a estrutura física e precisamos adquirir maquinário e uma caminhonete específica para transportar frios, por isso tivemos esses gastos”, relata o empresário, que já pensa em expandir seus negócios para todo o estado.

Para isso, ele está viabilizando a construção de um prédio para aumentar a produção.

“Tendo por base a demanda no município, acreditamos no potencial para crescer ainda mais, comercializando nossos produtos para todo o Rio Grande do Sul, é por isso que está em andamento a construção de um novo espaço. Nosso faturamento vem em uma crescente e vamos seguir nesse caminho”, diz, sem citar números.

O passo a passo

Em Carazinho, existem outras três agroindústrias familiares instaladas comercializam mel, panificados e hortifrutigranjeiros. Além delas, outras cinco estão em fase de construção e regularização. Na visão do engenheiro agrônomo e chefe da Emater, Renato Reni Serafini, apesar de ser algo relativamente novo no município, o número já é satisfatório.

“Considerando as agroindústrias já constituídas e as que estão em fase de regularização, acredito que temos um bom número de agroindústrias no município. Além disso, muitos produtores têm mostrado interesse em investir nesse segmento, tanto para melhorarem a renda familiar quanto para agregar valor aos produtos cultivados”, destaca.

Constituídas com a finalidade de transformar matérias-primas provenientes de atividades como a pecuária em renda, as agroindústrias familiares têm sido viabilizadas através da assistência técnica da Emater. O órgão faz o levantamento dos processos junto ao produtor, elabora e encaminha os projetos de crédito, quando há necessidade de financiamento bancário, e também intervém nos projetos sanitário e ambiental e na legalização tributária. O processo é relativamente rápido, e demort, em média, de quatro a seis meses. Foi o caso da KF Embutidos, que demorou três meses para sair do papel.

– Quando há interesse do produtor, a Emater faz o levantamento das necessidades e o acompanhamento via projetos, licenciamentos, visitas a outras agroindústrias, encaminhamento de documentação, treinamento das pessoas através de cursos em seus centros de treinamento, confecção de rótulos e tabelas nutricionais, cadastro no programa estadual de agroindústria familiar (PEAF) e obtenção do selo sabor gaúcho – explica Renato.

Sobre a importância que o segmento tem para a economia carazinhense, Renato destaca que elas agregam valor à produção agropecuária do município, proporcionam um incremento de renda, principalmente para o pequeno produtor, e oportunizam a criação de postos de trabalho. “Além disso, elas contribuem para a permanência dos jovens no meio rural ou junto à família, fortalecendo a sucessão familiar”, pontua o engenheiro.

Incentivo

Além da Emater, a Secretaria municipal de Agricultura, através do Sistema de Inspeção Municipal (SIM), também colabora na viabilização das agroindústrias. É o que explica a coordenadora do SIM, Bruna Ende Gomes. “Para poder comercializar alimentos lácteos e embutidos, é necessário ao produtor obter um selo atestando a qualidade de seus produtos. Então, mediante inspeção criteriosa das práticas de fabricação é que emitimos esse selo”, explica. Hoje, já são sete selos emitidos no município, eles também contemplam a produção de alimentos nas redes supermercadistas de Carazinho.

O apoio do município também se dá através do repasse de informações referentes à legislação e instrução documental. “Hoje em dia, a fiscalização está mais atenta, no sentido de que sejam comercializados somente alimentos seguros. E nós estamos ao lado dos produtores colaborando para que isso ocorra”, finaliza a coordenadora do SIM.

No Rio Grande do Sul, a Política Estadual da Agroindústria Familiar, criada pela Lei nº 13.921 de 17 de janeiro de 2012, é a maior política pública de incentivo ao setor. No âmbito federal, a criação do Programa Nacional da Agroindústria Familiar, em 2003, promove o apoio à inclusão dos agricultores familiares no processo de agroindustrialização e comercialização das suas produções.

 

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