Hematologista afirma que vacinas contra a Covid-19 são seguras e riscos de efeitos colaterais são extremamente raros

Dr. William Scheffer Chaves alerta que prática de “escolher vacina” não possui base científica e coloca em risco todo o processo de imunização contra o Coronavírus

Foto: Reprodução | Agência Brasil/Rovena Rosa

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Além de protagonizar números alarmantes de mortes por Covid-19 diariamente, o Brasil enfrenta outro problema que coloca em risco o processo de imunização da população: a “escolha por vacinas”. Atualmente, quatro imunizantes estão em uso no país: a AstraZeneca, a CoronaVac, a Pfizer e da Janssen. Segundo o Ministério da Saúde, cada cidade tem autonomia para distribuir as doses, seguindo o Programa Nacional de Imunizações.

Contudo, o fenômeno de escolher o tipo de vacina cresce entre a população. O médico hematologista Dr. William Scheffer Chaves, explica que a ordem de vacinação leva em conta a chance de as pessoas desenvolverem a forma grave da Covid, e diante disso, é importante comparecer assim que for chamado. No entanto, a disseminação de informações, sem embasamento científico, de que alguns tipos de vacina causaram efeitos colaterais graves provocam insegurança na hora de tomar o imunizante.

Médico hematologista Dr. William Scheffer Chaves

“Foram descritas reações adversas na vacina da Astrazeneca e da Janseen, de trombose mediada imunologicamente, ou seja, induzida por vacina (VITT). Dados atualizados da EudraVigilance (portal de farmacovigilância da EMA) até 31 de março de 2021 reportaram 79 casos confirmados deste tipo raro de reação, em uma população de pouco mais de 37 milhões de vacinados na Europa, ou seja, um risco de 0.00021%. Em junho de 2021, dados da Astrazeneca brasileira informam que no Brasil, apenas 5 casos de VITT confirmados, em um total de mais de 35 milhões de vacinados com a sua vacina”, detalha Chaves.

Ao analisar os números, Chaves reforça que órgãos sanitários de todo o mundo recomendam fortemente a vacinação contra a COVID-19. “Após 13 de abril, várias sociedades médicas de Hematologia e Neurologia Vascular, que lidam com trombose e AVC, também analisaram os dados descritos das reações vacinais, e mesmo com estas reações, não contraindicam a vacinação, mesmo com estas vacinas disponíveis”, recomenda.

O médico hematologista ainda faz um apelo pela conscientização da população em relação à vacina contra a Covid-19. “Se você tem a oportunidade e está na data de tomada de sua vacina, dentro do calendário do seu estado, você deve tomar qualquer das vacinas disponíveis no Brasil. As reações adversas graves são muito raras, e a chance de hoje, você pegar COVID-19 e ter uma trombose ou ter a doença em forma grave e morrer, é maior do que a chance de uma vacina dessas causar uma reação rara como esta”, avalia o profissional.

De acordo com o hematologista, a trombose mediada imunologicamente (VITT) é causada por anticorpos contra as plaquetas dos pacientes. Em última análise, a ativação plaquetária (e possivelmente a ativação de outras células, como neutrófilos) resulta em estimulação marcada do sistema de coagulação e complicações tromboembólicas clinicamente significativas. Essa  condição está associada às vacinas baseadas em vetores adenovirais (Astrazeneca e Janssen).

Como cada vacina funciona no organismo?

A vacina da AstraZeneca consiste em um vírus defeituoso (adenovírus), sem capacidade de se multiplicar e que contêm um pedaço do genoma do vírus da COVID-19, responsável pela produção da estrutura presente na superfície viral que é a mais importante para a indução de proteção ao vírus.

A vacina CoronaVac é composta pelo vírus inativado (morto), com sua estrutura completa. Este vírus é incapaz de se multiplicar, mas estimula o nosso sistema de defesa a produzir fatores de proteção.

As vacinas de mRNA, no caso a da Pfizer, carregam o código genético do vírus que contém as instruções para que as células do corpo produzam determinadas proteínas. Uma vez que essa proteína seja processada dentro do corpo e exposta ao nosso sistema imunológico, este pode identificá-la como algo estranho, um antígeno e criar imunidade contra ele.

Ja vacina da  Janssen, de dose única, é uma vacina monovalente composta por um vetor recombinante, não replicante de adenovírus humano que codifica a totalidade da glicoproteína spike (S) do vírus da Covid-19 numa conformação estabilizada. Essa configuração estimula tanto anticorpos neutralizantes como outros anticorpos funcionais específicos, que pode contribuir para a proteção contra a COVID-19.

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