Índice de confiança no comércio volta a subir

Estudo da FGV aponta que setor vive um otimismo semelhante a 2014, período anterior à crise financeira no país

Foto Matheus Moraes / Diário

Compartilhe

A Fundação Getúlio Vargas (FGV) divulgou nessa semana que o Índice de Confiança do Consumidor (ICC) do Instituto Brasileiro de Economia (FGV IBRE) avançou 7,1 pontos em novembro atingindo 93,2 pontos.

Esse resultado é o segundo avanço em dois meses seguidos, e é o maior índice registrado desde julho de 2014, ainda no período pré-crise. A alta acumulada de 11,1 pontos no bimestre outubro-novembro, é a maior da série histórica iniciada em setembro de 2005.

Presidente da Câmara de Dirigentes Lojistas de Passo Fundo (CDL-Passo Fundo), Carina Sobiesiak é otimista com o resultado, mas mantém os pés no chão:

“As coisas não vão acontecer de uma hora para outra. A perspectiva para o ano que vem é que comércio crescerá, mas gradualmente. Talvez demoremos, infelizmente, em torno de 10 anos para sair dessa crise. O que os especialistas acreditam é que só teremos uma retomada verdadeira da economia em 2024”, opina.

Ainda segundo o FGV, esse aumento da confiança foi confirmado em todas as classes de renda. Em médias móveis trimestrais, entretanto, nota-se um maior avanço entre os consumidores de maior poder aquisitivo, cuja confiança já vem subindo desde setembro, com alta de 4,3 pontos, em novembro, contra 3,1 pontos do indicador de média móvel do ICC.

No bimestre outubro-novembro, a maior alta foi da faixa de renda mais baixa, de 14,1 pontos, mas nessa faixa a confiança havia recuado 3,9 pontos em setembro.

Para o futuro, a projeção é que a desconfiança com a economia diminua, mas de forma diferente para cada setor.

“Teremos segmentos que melhorarão bastante, e alguns melhorarão em ritmo mais lento. Tivemos uma melhora significativa na construção civil, que há tempos não vivia um quadro positivo, assim como a venda de automóveis novos, que teve uma resposta muito maior do que no ano passado, e alguns segmentos ainda estão mais devagar”, defende Sobiesiak.

Em relação à situação atual, o destaque foi o indicador que mede o grau de satisfação com a economia, com alta de 3,3 pontos, para 81,1 pontos, o maior nível desde maio deste ano (82,0).

Apesar de uma recuperação do otimismo sobre as finanças pessoais, houve devolução de 45% da alta observada no mês passado do indicador que mede a intenção de compras de bens duráveis, que caiu 5,4 pontos em novembro, para 85,3 pontos.

Para Sobiesiak, o próximo semestre será decisivo para o futuro da economia brasileira.

“Tudo vai depender de como o Brasil vai ser governado nos seis primeiros meses. Essa é a perspectiva de especialistas, que entendem da parte econômica e política. Isso realmente vai impactar na decisão dos investidores, aqui do país e também do exterior. Isso no Brasil e também aqui no Estado”, defende.

Mas a presidente da CDL é confiante no potencial do município.

“Passo Fundo é uma cidade abençoada, que está além das expectativas do Estado e do Brasil, principalmente na geração de emprego, e a nossa economia é forte, tanto que fomos a cidade gaúcha que menos sentiu a crise dos últimos anos. Tanto é que tivemos grandes empreendimentos, mesmo em tempos financeiros duvidosos, como o novo shopping”, conclui.

Leia grátis o jornal digital

Comentários
Diário da Manhã

Diário da Manhã - Todos os direitos reservados. All rights reserved ®