Laika, a cadela que ajuda a polícia no combate ao tráfico

Cadela farejadora utilizada pela Polícia Civil já achou drogas no interior de portas, em aspirador de pó e em estrume

Vinicius Coimbra/Diário

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No dia 10 de agosto deste ano, os policiais da Delegacia Especializada em Furtos, Roubos, Entorpecentes e Capturas (Defrec) de Passo Fundo foram a Lagoa Vermelha. O alvo era uma investigação de tráfico de entorpecentes, que envolvia detentos do regime fechado do Presídio Regional de Passo Fundo (PRPF) ligados a uma facção criminosa. A suspeita era a de que eles coordenavam a compra, entrega e remessa de drogas de Lagoa Vermelha para Passo Fundo.

“Os traficantes escondem a droga de uma forma cada vez mais aprimorada. Enterram, colocam dentro de outros objetos, dentro de portas. Se não fosse o trabalho da Laika, não iríamos localizar essas drogas”, delegado Diogo Ferreira

A ação resultou na apreensão de quase dois quilos de drogas e apreensão de armas de fogo, além da prisão de pai e filho. Os entorpecentes foram localizados enterrados em estrume em uma fazenda. O episódio é exemplificado como umas das melhores ações da cadela farejadora Laika, que ajuda a Defrec há mais de dois anos. “Os traficantes escondem a droga de uma forma cada vez mais aprimorada. Enterram, colocam dentro de outros objetos, dentro de portas. Se não fosse o trabalho da Laika, não iríamos localizar essas drogas”, explica o delegado Diogo Ferreira.

O titular da Defrec cita diversos exemplos da atuação da cadela da raça pastor holandês. “Ela já encontrou droga dentro de sofá, dentro de porta, enterrada, dentro de cano. São locais que tu nem imagina que pode estar a droga, mas que, com o faro dela, conseguimos identificar e tirar de circulação, conseguimos prender o traficante”, pontua.

Na operação batizada de Breaking Bad, deflagrada em Passo Fundo em outubro deste ano, a cadela foi levada a diversas residências para farejar drogas vendidas por um grupo criminoso: ela localizou entorpecentes dentro de tubulações e também dentro de um aspirador de pó. “Ela tem um faro incrível”, resume Diogo Ferreira.

 

Treinamento

O animal foi doado por um canil de Passo Fundo para a Defrec. Deste então, é treinado e cuidado pelo inspetor Eluir Mainardi. O processo até utilizar a cadela nas operações requer treinamento. O trabalho começa poucos dias depois do nascimento. Os policiais atiçam o filhote com algum tipo de brincadeira, como com uma bola de tênis ou uma fita. Se o animal responder ao estímulo, é possível que ele possa ser utilizado na busca por drogas. “Entre oito meses e um ano a gente começa a introduzir o odor da droga. Pegamos caixas quadradas e introduzimos o odor de drogas que você quer que ela fareje junto com o brinquedo. Com a Laika, eu usei a bolinha de tênis”, disse o inspetor.

“A Laika é muito importante. É uma excelente ferramenta no combate à criminalidade”, inspetor Eluir Mainardi

Segundo o inspetor, em hipótese alguma o animal tem contato com a droga, apenas com o odor. A droga é armazenada dentro de tubos de PVC. “Primeiro colocamos uma caixa. Depois, duas caixas e, assim, vai aumentando a dificuldade. Quando o animal consegue identificar o odor, a gente dá o brinquedo, a bolinha”, explica.

Segundo o inspetor, existem duas formas de o animal indicar que encontrou a droga aos policiais. Uma é a indicação ativa, na qual ocorre o latido ou ele raspa a área onde há o odor; e a passiva, em que o cachorro senta próximo ao ponto ou olha para o policial. A segunda é mais utilizada para faro de explosivos.  A Defrec trabalha com a indicação ativa. “A Laika é muito importante. É uma excelente ferramenta no combate à criminalidade”, diz Mainardi, que também destaca a atuação de Laika na Operação Estábulo.

O cuidado com o animal é uma das atividades diárias na Defrec. “Procuramos treinar continuamente. É igual um exercício: ela tem que estar sempre em atividade, treinando para manter o condicionamento”, disse. Segundo o inspetor, a cadela farejadora pode trabalhar nas ações da Defrec até os 10 anos de idade.

Conheça a Laika no vídeo:

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