Leite estuda reduzir Coordenadorias Regionais de Educação

Ainda em especulação, porém, caso se concretize, a redução do número de coordenadorias pode ter impacto significativo na educação do Estado

Foto: Isabella Westphalen | Diário

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Hoje, no Rio Grande do Sul, existem 30 Coordenadorias Regionais de Educação (CRE’s), responsáveis por gerenciar a vida das mais de 2 mil escolas da rede estadual que atuam hoje no RS. O governador Eduardo Leite estuda reduzir as 30 para 12, mesmo sem um pronunciamento oficial, o objetivo deve ser em torno de “enxugar” os gastos e fazer com que alguns professores retornem para as salas de aula.

A reportagem do Diário tentou contato com a Secretaria Estadual de Educação (Seduc) durante dois dias, porém, não foi atendida. Segundo informações que circulam na imprensa, as 30 coordenadorias que estão funcionando hoje empregam 1,6 mil pessoas. Em Carazinho, está sediada a 39a CRE, que segue funcionando com a gestão do mandato anterior, tendo em vista que Leite ainda não anunciou as novas equipes.

A coordenadora Sandra Bandeira, ainda sem saber se permanecerá à frente da repartição estadual, preferiu não se manifestar sobre a possibilidade de redução nas Coordenadorias, porém, relatou que é necessário que se faça uma análise profunda desta medida por parte do Governo.

A coordenadora adjunta da 7a CRE, de Passo Fundo, Adenir Cambruzzi Alves, também afirma que não tem mais informações sobre a medida que está sendo estudada, também sem saber sobre o seguimento do trabalho na Coordenadoria. “A gente esá sabendo disso pelas notícias, nada oficial ainda. Estamos aguardando para que possamos nos organizar. Por enquanto, estamos tocando, atendendo as demandas e esperando”, relatou Adenir.

Experiência

Coordenadora da 39a CRE durante quatro anos, no mandato do ex-governador Tarso Genro, a professora Gelci Agne espera que a medida de enxugar as Coordenadorias seja apenas especulação, pois acredita em outra concepção de educação. “A gente acredita que a educação é investimento e não gasto. Como vamos cortar esse atendimento aqui perto da Coordenadoria e deixar nossos colegas servidores sem assessoramento? Seria um descaso total”, relatou a ex-coordenadora.

Segundo Gelci, a 39a CRE atende 21 municípios vizinhos, tendo em torno de 62 escolas como demandas e afirma que, por mais que a tecnologia ajude na comunicação hoje em dia, isso não deve ser suficiente. “Existe um número grande de servidores, professores que precisam de auxílio. Por mais que seja possível digitalizar documentos, não é a mesma coisa do contato físico, da presença junto às escolas”, ressaltou a professora, que ainda conta que são cerca de 40 pessoas que integram a equipe da coordenadoria, inclusive, com mais de uma função.

Gelci espera que a informação seja apenas especulação e que a medida não se concretize, afinal, acredita no trabalho desempenhado nas Coordenadorias, principalmente pela questão da proximidade.

“Tem gente que fala que as coordenadorias são cabides de emprego, eu não concordo. Existe uma demanda muito grande em função do trabalho pedagógico desenvolvido nas escolas. Acho que reduzir prejudica o desempenho das escolas”

Gelci Agne

ex-coordenadora da 39a CRE

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