Luz e sombra para ensinar

Aliando tecnologia e uma linguagem poética, projeto do Sesquinho tem encantado os alunos, que usam luzes e sombras para explorar a imaginação, criar e aprender. Proposta foi apresentada em encontro nacional

Foto: Luana Zirbes | Sesquinho

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A educação está sempre se reinventando, ou pelo menos, essa é a ideia. Quando os alunos são crianças, formando suas personalidades, cada uma com sua infância, é papel da escola incentivar o potencial de cada um. A partir dessa ideia surgiu o projeto “As luzes e sombras como tecnologia de aprendizagem”, no Sesquinho, escola de educação infantil que atua pelo Sesc Carazinho e atende crianças de três a cinco anos.

A idealizadora do projeto, e quem deu o “pontapé” inicial, foi a instrutora pedagógica Luana Zirbes, que atende uma turma de 21 alunos, com quatro anos de idade. “Tudo começou porque as crianças tinham uma curiosidade sobre a minha tatuagem de libélula, queriam saber o que era e tal e eu coloquei no retroprojetor uma libélula gigante e depois disso pensei: ‘vamos brincar com isso’, aproveitar o recurso na sala e os alunos se encantaram”, relatou a instrutora, que conta também que usaram brinquedos em miniatura, colocando-os em cima do projetor, refletindo a imagem do objeto, conquistando as crianças.

O resultado de fato é impressionante. Ao assistir um vídeo que a equipe do Sesquinho fez da turma de crianças interagindo com o jogo de luzes e sombras, nota-se o porquê a iniciativa vem chamando a atenção. A dimensão do projeto foi tamanha, que a escola foi convidada a participar de um encontro nacional que aconteceu no Rio de Janeiro, em novembro, e segundo a supervisora pedagógica do Sesquinho, Ana Luisa Paviani, não esperavam que o projeto fosse ter tanta notoriedade. “A dimensão deste projeto é gigante. A gente apresentou para o Brasil e para representantes da Itália. Quando veio o convite do departamento nacional do Sesc, não imaginávamos”, relatou Ana.

Luana e Ana afirmam que o trabalho só é possível e dá resultados positivos por conta do trabalho em equipe que acontece na escola, que atende 60 crianças de três a cinco anos de idade

Referência

Para o encontro, o departamento nacional do Sesc convidou um representante de cada regional do Brasil. O projeto de Carazinho chamou atenção, segundo Ana, porque justamente se baseia nas teorias de Reggio Emilia, modelo italiano de ensino que se tornou referência na educação. Duas representantes italianas estiveram no encontro e conheceram a metodologia do projeto do Sesquinho de Carazinho.

No Rio Grande do Sul, são 19 escolas de educação infantil do Sesc, que se tornou referência justamente pelas práticas bem alinhadas que seguem. “A gente estuda Reggio Emilia a vida inteira, é um modelo. Ter esse retorno é ver que a gente está no caminho certo, para nós que buscamos essa educação, é maravilhoso”, afirmou Ana, que salienta também que a ideia é seguir refletindo e aprimorando essa prática, aliando tecnologia e poética, levando isso para 2019.

Possibilidades

Atenta à sua turma de alunos e buscando sempre entender o que cada um quer ou se identifica, Luana afirma ter percebido o encantamento das crianças pela questão da luz, sombras e reflexos e como isso impactava positivamente seu grupo de pequenos. “É uma tecnologia usada de outra forma, porque a tecnologia não é só colocar a criança na frente da televisão”, frisou a instrutora.

O Sesquinho tem em sua vertente ter uma abordagem diferente de ensino, buscando incentivar o melhor de cada criança, explorando as capacidades de cada um, portanto, não impondo um método tradicional de ensino. “Eu acredito que a gente tem que se colocar no lugar da criança. Temos 60 alunos, que ficam o dia todo, eu penso, se eu estivesse aqui como aluna, o que eu iria querer? Eu quero fazer diferente do que eu vivi”, justificou Luana, que ressalta que não é que sua experiência escolar não tenha sido boa, mas pode ser sempre melhor. “Temos a possibilidade de melhorar muito e então quero trazer isso para eles, eu gosto muito de aliar com a tecnologia, acho que cada professor tem sua essência de ensinar”, sorriu a instrutora.

“É muito legal ver, cada um com seu perfil, conseguindo aproveitar aquela atividade, um gosta de ser robô, outra de fazer ballet na frente da luz, é muito legal porque cada um traz uma vivência” – Luana Zirbes, instrutora pedagógica do Sesquinho

Potencial

Sobre as crianças e a maneira com que interagiram com a atividade proposta, Ana afirma que os alunos são portadores de conhecimento, tendo uma relação de aprendizado de ambas as partes, sendo o papel do professor desafiar, porém, não dar as respostas. “Nosso desafio é cada vez mais olhar para as crianças e entender que elas são seres humanos de direitos e estão para aprender conosco tanto quanto estamos para aprender com elas”, ressaltou a supervisora.

– Acho que investir nas crianças é tudo. É total a importância. Nós temos 60 crianças que passam todo ano por aqui. Se dessas 60 a gente conseguir tirar 10% que se tornem críticas, questionem, agucem esse desejo de saber mais, a gente já fica muito feliz – comentou Ana, que avalia também que cada criança é diferente da outra, por isso é importante o respeito para cada vivência.

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