Mamografia x vacina contra a Covid-19

Médica esclarece principais dúvidas sobre o tema e recomenda que mulheres façam a mamografia antes de tomar a vacina contra a Covid-19 ou quatro semanas após a segunda dose

Recomendação é que se espere quatro semanas após a vacinação para realizar a mamografia. Foto: Divulgação

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Nas últimas seis semanas, foi registrado um aumento agudo de descrições pelos radiologistas, nos laudos de mamografias e ultrassonografias, da presença de linfonodos, também chamados gânglios ou ínguas, nas axilas das pacientes, sugerindo doenças que deveriam ser investigadas. Para evitar possíveis confusões na interpretação da mamografia, a Comissão Nacional de Mamografia do Colégio Brasileiro de Radiologia e Diagnóstico por Imagem (CBR), SBM e da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) emitiram uma orientação que as mulheres que fizeram a segunda dose do imunizante devem aguardar quatro semanas antes de realizar o exame de rotina.

Apesar disso, outros boatos surgiram a respeito da vacina e o desenvolvimento de câncer de mama, além de outros efeitos colaterais. Para esclarecer as principais dúvidas sobre o tema, à reportagem do Grupo Diário da Manhã conversou com a médica radiologista responsável pelo Centro de Imagem da Mama do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP), Dra. Daniele Cavalheiro Vieira Floss. Confira:

Diário da Manhã: Quais as possíveis alterações a vacina contra a Covid-19 pode apresentar na mamografia?

Dra. Daniele Cavalheiro Vieira Floss é a médica radiologista responsável pelo Centro de Imagem da Mama HSVP. Foto: Divulgação | HSVP

Daniele Cavalheiro Vieira Floss: A vacina é a inoculação de uma partícula que gera um processo inflamatório, podendo causar reação local e regional. A reação local é percebida horas após a vacinação, quando o local fica vermelho, duro e inchado. A reação regional está ligada à inflamação dos linfonodos (órgãos de defesa). Se a vacina é aplicada no braço, isso pode se refletir na axila ipsilateral.

Diário da Manhã: Podem ser observados efeitos colaterais do imunizante, como dor, inchaço, ou outro sintoma físico?

Daniele Cavalheiro Vieira Floss: Os efeitos do imunizante estão associados à linfonodopatia axilar ipsilateral ao braço em que foi aplicada a vacina, ou seja, ao aparecimento de “caroços” nessa região, que podem ocasionar um desconforto local.

Diário da Manhã: Outras vacinas podem dar alteração na mamografia também?

Daniele Cavalheiro Vieira Floss:  Isso pode acontecer com todas as vacinas que evocam uma resposta imune forte, como as utilizadas contra a Covid-19, e também em outras como contra o sarampo, varíola e influenza (gripe).

Diário da Manhã: Existe um boato que a vacina contra a Covid-19 pode causar câncer, isso é fato ou fake?

Daniele Cavalheiro Vieira Floss:  A vacina contra a Covid-19 não causa câncer, mas pode haver a coincidência de os sinais do câncer surgirem na mesma época em que a pessoa recebeu o imunizante. Portanto, se a paciente apresentar uma linfonodopatia axilar logo após a vacina, isso provavelmente é uma reação ao imunizante, mas é necessário fazer um exame de controle após quatro a doze semanas da segunda dose da vacina, e na persistência do achado, deve-se realizar a investigação adequada.

Diário da Manhã: Já tenho a mamografia agendada e me vacinou ou vou me vacinar. O que devo fazer?

Daniele Cavalheiro Vieira Floss: A recomendação para que as mulheres façam a mamografia antes de tomar a vacina contra a Covid-19 ou quatro semanas após a segunda dose para evitar dúvidas no diagnóstico. Mas é muito importante salientar, que a mamografia deverá ser adiada e não cancelada.  Se a paciente não puder esperar o tempo recomendado entre a vacina e o exame, deve informar ao médico radiologista e ao médico assistente, que recebeu a dose do imunizante.

Diário da Manhã: Qual a importância da mamografia no diagnóstico e tratamento de um possível câncer de mama?

Daniele Cavalheiro Vieira Floss: O câncer de mama é o tumor não cutâneo mais frequente entre as mulheres e a principal causa de morte por tumor no Brasil e no mundo. Em virtude desse cenário, o rastreamento do câncer de mama é primordial, pois ele é determinante para o diagnóstico precoce, que consequentemente aumenta a possibilidade de cura e diminui a mortalidade.

A mamografia é o exame que apresenta o melhor custo-benefício para essa detecção, pois quando realizada anualmente por mulheres acima de 40 anos, contribui para a redução da mortalidade em razão da doença, em até 30% ou mais.

Portanto, precisamos estimular o acesso de todas as mulheres à realização de uma mamografia de qualidade, permitindo um diagnóstico preciso, um tratamento rápido e menos agressivo.

Diário da Manhã: Foi detectado um aumento de casos de câncer em estágios avançados por diagnósticos tardios na pandemia?

Daniele Cavalheiro Vieira Floss: Infelizmente, principalmente no ano de 2020, muitas mulheres não realizaram os seus exames de rotina, em virtude da pandemia do coronavírus. Em decorrência disso, tem-se observado um aumento de casos de câncer de mama em estágios mais avançados. E sabemos que a ciência já provou que em câncer de mama, a arma mais poderosa para diminuir o risco de morte é o diagnóstico precoce, que permite também a realização de tratamentos clínicos e cirúrgicos menos agressivos.

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