“Nós queremos ajudar a fazer o Carnaval, mas não com dinheiro público”, garante secretário de Cultura

Secretário reafirma que Município não gastará verba pública com desfile de rua, assim como faz desde 2016

Foto: Arquivo | Diário

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A Prefeitura de Passo Fundo é enfática: não haverá Carnaval de Rua com recursos públicos do Município, assim como ocorre desde 2016. Em razão da crise econômica que assombrou o país no fim de 2015, o prefeito Luciano Azevedo garantiu que não colocaria mais recursos públicos na movimentação cultural em razão de que não haveria mais verba para tal tipo de atividade.

No último Carnaval de Rua, em 2015, numa parceria com a Câmara de Dirigentes Lojistas (CDL), a Prefeitura arcou com R$ 650 mil de investimento, segundo a Secretaria de Cultura. Desse valor, cerca de R$ 250 mil apenas para questões estruturais e de logística para o evento acontecer, conforme relata a pasta.

Secretário de Cultura, Henrique Fonseca

O secretário de Cultura, Henrique Fonseca, defende que, para realizar o desfile, seria necessário conseguir, pelo menos R$ 250 mil para organização de segurança, arquibancada, sonorização, entre outros segmentos. “Nesse anúncio, o prefeito apenas reforçou que não iria colocar dinheiro público. Nós queremos fazer o carnaval de rua junto com a Liga, mas não com dinheiro público. Estamos trabalhando há dois anos no projeto da Lei Rouanet, mas não há interesse por parte dos possíveis patrocinadores. Nós ainda dependemos de possíveis patrocinadores interessados através da Lei Rouanet para fazer um aporte significativo para que as escolas pudessem desenvolver seus enredos”, declara.

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Para valorizar o carnaval, a Secretaria de Cultura acredita que por meio do diálogo é possível se organizar para retomar o Carnaval de Rua nos próximos anos. O formato, contudo, pode sofrer alguma alteração. “O projeto da Lei Rouanet foi prorrogado para este ano, para poder planejar o próximo ano. Nós estamos tentando construir um carnaval, seja no formato que as pessoas estão acostumadas, ou num outro a ser reinventado. Mas precisamos conversar, tentar. Podemos iniciar uma nova discussão junto com o Conselho Municipal de Cultura para conseguir. Não por meio milhão, mas um pouco menos, com desfile popular, para que atenda a justa demanda das escolas de samba e da população, desde que seja algo viável. As empresas estão recém saindo do sufoco e não se habilitaram da forma que nós esperávamos”, argumenta.

Fonseca ainda rebate a Liga Independente sobre a participação de reuniões voltadas para o âmbito cultural. Segundo o secretário, desde que o Conselho Municipal de Cultura, o Plano Municipal de Cultura e o Fundo Municipal de Cultura foram criados, a Liga não participou das discussões de políticas culturais para a cidade. “Nós fomos um dos únicos municípios do Brasil que nos adaptamos com o regramento nacional. Junto da sociedade civil organizada ligadas a cultura, criamos um sistema, com estrutura deliberativa. Nele, é definido onde a Prefeitura faz investimentos, apoia, é parceira. Envolve teatro, música, arte. Desses três anos de criação, não vimos a participação da Liga onde discutimos os investimentos públicos. São várias entidades ligadas ao teatro, a música. A Liga é convidada, não tem participado e não entendemos o porquê”, rebate Fonseca.

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