Para reduzir fila do SUS, prefeitura catarinense paga cirurgias

Iniciativa da administração de Xaxim, para quem aguardava cirurgias no quadril, conta com serviços do Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) de Passo Fundo. Recursos sobraram após o corte no número de secretariais municipais

Fotos: Matheus Moraes | Diário

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Os passos lentos de José Carlos Cabral, no auditório da unidade II do Hospital São Vicente de Paulo, em seu deslocamento até o microfone, sinalizavam um novo momento na vida do morador de Xaxim/SC. Em pronunciamento emocionado, o paciente que passou por uma cirurgia de quadril, no dia 9 de novembro, celebrava junto dos colegas o alívio de não sentir mais dores.

José Carlos Cabral se emocionou no HSVP durante discurso junto aos colegas

“Essa é uma conquista nossa, de todos meus colegas que estão aqui”, comemorava.

Trabalhador autônomo com venda de pneus de caminhão, Cabral aguardava por uma cirurgia no quadril há cinco anos. Sem deixar as responsabilidades de lado, ele seguia a vida com dores, oriundas de desgastes no quadril.

“Eu trabalhava com dor. Dormia e acordava com dores. Como era serviço pesado, a dor aumentava demais. Mas agora estou bem, me recuperando. E faceiro, sem dores. Feliz, muito feliz”, declara o trabalhador que passou por cirurgia.

Assim como José Cabral, outros 27 pacientes passarão por cirurgia de quadril, promovida por meio de uma iniciativa da Prefeitura de Xaxim, que destinou fundos que sobraram do orçamento municipal para destinação de cirurgias de pacientes da cidade que aguardavam pelo SUS.

No total, o município já realizou 1.097 cirurgias na atual gestão. Por meio de um processo licitatório, o Hospital São Vicente de Paulo (HSVP) participou de um edital para mediar a realização de 28 cirurgias. No total, o custo do poder executivo de Xaxim é de cerca de R$ 450 mil, ou seja, uma média de R$ 16 mil por procedimento. Entre os pacientes, há quem aguardava pelo processo há 12 anos.

Plínio Lenoir Lunar, paciente do HSVP

A espera, para Plínio Lenoir Lunar, foi menor que a de Cabral. Foi um ano e meio no aguardo de realizar o procedimento. No entanto, para ele foi necessário parar com o serviço de corretor de imóveis em Xaxim. Com desgaste no fêmur, as dores tornaram inviável para executar a sua função.

“Apareceu essa oportunidade para mim e meus colegas. Só nós sabemos o que passamos. Passávamos dor 24 horas por dia. Era só na base do anti-inflamatório para tentar amenizar a dor. Foi uma oportunidade muito bacana, de respeito por parte da administração para tirar os pacientes que estavam na fila do SUS. Só temos a agradecer o atendimento e o tratamento do HSVP, aos profissionais da forma que nos atenderam”, declara.

O superintendente executivo do HSVP, Ilário Jandir de David, relata o privilégio da instituição participar dessa iniciativa de Xaxim. Segundo ele, o corpo clínico qualificado do hospital permite condições de resolutividade das cirurgias.

“As primeiras cirurgias já foram um sucesso. É uma alegria total para os pacientes e uma sensação gratificante para nós, para os médicos que participam desse processo. Nós temos alegria de ter sido escolhidos para esse edital e ter todas as condições, com uma equipe médica de alta competência para realizar o procedimento da melhor maneira possível”, destaca.

PREFEITURA REDUZIU SECRETARIAS

A iniciativa de ceder recursos para pacientes que aguardam o SUS surgiu de uma economia financeira realizada pela Prefeitura de Xaxim, em Santa Catarina.

De acordo com o Executivo da cidade, houve uma redução de secretarias, de 11 para quatro, o que reduziu a folha de R$ 5,5 milhões para R$ 2,5 mi. Ou seja, uma economia de R$ 3 mi, que foram utilizados para o setor da saúde. De acordo com o prefeito Lírio Dagort, a ação visa exterminar a longa fila que existia na cidade. Além das 1.097 cirurgias já realizadas, há 19 pacientes no aguardo por prótese de joelho e outras 292 na espera por cirurgia na coluna.

“Nós esperamos que até o fim do mandato a gente zere essa fila. A partir de janeiro, vamos destinar R$ 200 mil mensais para essas cirurgias atender a nossa demanda. Se as prefeituras não fazerem sua parte, jamais iremos zerar as filas. É de conhecimento de todos que o governo não apresenta condições”, enfatiza.

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