Safra de trigo frustra em produtividade

“Lucro do produtor ficou no caminho”, aponta engenheiro agrônomo

Foto: Arquivo | Diário

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Mais uma safra de trigo se encerra na região com média de produtividade frustrante. Além da queda de produção, os triticultores retiraram das lavouras grãos com PH abaixo dos 78, valor que deve significar uma perda de valor por saca comercializada de até R$ 2,00.

De acordo com o agrônomo da Emater Regional de Passo Fundo, Cláudio Doro, no término da colheita o cereal fechou com média pouco acima das 36 sacas por hectare. “Aquele triticultor que ficou dentro deste padrão produtivo não vai conseguir cobrir as despesas do investimento que fez na formação da safra 2018”, revela.

O clima desfavorável a partir do final da primeira quinzena de setembro é apontado como um dos fatores que causaram esta situação, uma vez que houve registro de excesso de chuvas. A formação de geadas no final de agosto também é apontado como um fator negativo para a produção do trigo neste ano.

Quinta safra de frustração seguida

Conforme o agrônomo, esta foi a quinta safra seguida de trigo que frustrou o  Produtor, pois a última com média boa de produtividade foi em 2013, quando o estado produziu cerca de 3,3 milhões de toneladas do grão. “O resultado frustrante em sequência é constatado pela redução de área destinada ao trigo, que baixou de 1,2 milhão de hectares para apenas 770 mil neste ano. O setor vem sofrendo um grande desestímulo por questões climáticas e, também, por preço pago ao produto”, explica Doro.

Em relação a preço, nesta quinta-feira (29) o cereal com PH 78 estava sendo comercializado próximo dos R$ 39,00 a saca. “Uma safra com o valor de PH de 75 ou pouco mais significa venda por algo na casa dos R$ 36,00 a saca, mesmo o produto sendo destinado à farinha”, enfatiza o agrônomo da Emater-RS. Segundo Doro, quando se faz comparativo de preços com período anterior, o trigo mostra uma recuperação, pois no ano passado o cereal com PH 78 foi vendido por R$ 32,00 a saca, valor abaixo do pago para produto com PH inferior.

“Lucro no meio do caminho”

O agrônomo Mauro Rohr também classifica a média produtiva bem abaixo das estimativas que se tinham até o início do mês de setembro, de que seria possível uma produtividade de 80 sacas por hectare em boa parte das lavouras do cereal. “Infelizmente, tivemos geadas nos dias 26 e 27 de agosto e chuvas expressivas a partir do dia 10 de setembro. O resultado acabou sendo lavouras produzindo de 35 a 40 sacas por hectare, muito abaixo do previsto”, lamenta.

Segundo ele, o PH que não atingiu os 78 é o resultado do clima e mais um determinante para redução dos ganhos, que em parte das propriedades não atingirá o custo de produção. “Quem melhor colheu vai no máximo empatar. Mais uma vez, o lucro ficou no meio do caminho”, comentou.

Para o agrônomo, esta sequência de safras frustrantes reflete sempre na seguinte com a redução de áreas destinadas à cultura. “Fica difícil prever qualquer situação futura, mesmo o produtor tendo necessidade de ter uma safra de grãos no inverno. Nos últimos cinco anos foram duas colheitas razoáveis e três de resultado extremamente negativo”, concluiu.

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